”Morreu o homem da rua 11” disse quem estava lá.
”o bêbado da rua 11 morreu” disse alguém que o conhecia.
”morreu porque não ia pra igreja” disse a velha católica.
”Pobre diabo” diziam todos.
”morreu porque bebia muito”disse o homem que fumava muito.
”É a vida!” diziam os que não se importavam.
”Que merda!” Diziam os que fingiam se importar.
”ele gritava a noite toda” disse a mulher que morava na casa do lado.
”FORAM OS COMUNISTAS!” gritou um velho louco.
”Caralho!” diziam os adolescentes.
”Ele era bonito?” perguntou um cego.
”Que?” perguntou o surdo.
”…” respondeu o mudo.
”mais um” disseram os que recolheram o corpo.
”minha mulher não gosta de comida japonesa” disse um policial.
”Foda-se” disse deus.
”haha” riu o diabo.
Ninguém disse mais nada.
Eu segui para a rua 13.
O céu era uma miscelânea de tons azuis alaranjados.
A lua que mais parecia uma foice, destacava-se no céu.
Cheguei em casa, tirei a roupa abri uma cerveja e escrevi isso.