O velho escuta Villa-Lobos,
mas não sabe que ele é brasileiro
e ele vive, bebendo cerveja de litro

Pinta quadros com tinta velha e sem brilho
e pela janela, guarda com os olhos as gêmeas voltando da escola
seu passatempo é assoviar a
melodia perdida, no piano e nos violinos
dos mortos que imortalizaram, seus nomes
alemães, franceses e russos e o polonês

O velho se cega de sol e de olhos fechados celebra a erupção
ele gosta das flores e sabe todos os nomes de cada uma delas
mas nunca tentou impressionar ninguém

Sai porta afora!
serpentear as calçadas
mas sempre tomando o mesmo rumo

Atrás de uma xícara de café, um copo de vinho
e uma conversa sobre o seu tempo de guri
o tempo levou os amigos a mulher, os filhos
e todas as companhias

Mas as vezes ele sorri:
vendo os cachorros que correm e mordem o vazio
cuspindo o catarro na calçada
queimando a barba com o cigarro
ou admirando um rabo em forma de coração

Mas não é por nada disso, isso pouco faz diferença
ele sorri porque se lembra,
que esta velho demais para pensar na
morte

 

Texto de: Vinícius Prestes Antipoeta )

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