A luz entra por uma minúscula falha da persiana
porra, essa merda de feixe, mira os meus olhos
e queima-os
com a mais pura e gratuita
fúria dos deuses
a ressaca é horrível, mas não é das piores
eu torci o pé, no dia anterior
e sinto o próprio diabo
mastigar meu tornozelo
eu estou chorando,
merda, chorando de dor

Eu pulo da cama e procuro meus óculos
e
não acho
eu procuro minha carteira
não acho
eu me sinto vazio e deprimido
eu queria ao menos estar sozinho
mas ela esta dormindo, encolhida, coberta
como um caracol
e seus cabelos já fazem parte da cama
e eu não lembro o nome dela, nem como cheguei em casa
mas se ela está aqui é porque transamos e bebemos juntos
provavelmente…
mas isso não faz com que eu me sinta, melhor

Eu volto pra cama e a descubro
revelando o seu corpo
seu maravilhoso corpo,
me senti surpreso e isso me fez bem
sua pele branca
como a luz que fode meus olhos
se fez meu sol
eu pairo a mão, pelo seu corpo
e me sinto um pouco melhor
colo em suas costas, aconchegando meu pau entre suas nádegas
são 8 horas da manhã e minha ereção matinal,
não falha
eu coloco sua calcinha pro lado e naturalmente
encontro o caminho…

Meto devagar, enquanto aperto carinhosamente seu peitos
peitos médios, um bom tamanho, merecedores de um bom tempo
entre meus lábios, mas não agora…

Eu mergulho meu rosto
em seus cabelos castanhos que cheiram a flores e cigarro
ela sequer se mexe, poderia pensar que estaria morta
se sua boceta não fosse tão quente

Mas
aos poucos ela vai se acordando
e se abrindo vagarosamente
a mim
sua respiração se torna pesada e cada vez mais, melódica
seus suspiros soam como Tchaikovsky
antes dela abrir os olhos, amaço meus lábios contra os seus
ela responde enfiando sua língua em minha boca
enfim, beijamos…
o mais amargo dos beijos
o beijo do dia seguinte
então ela pergunta de dentro da minha boca:

‘’ você colocou camisinha?’’

Eu não respondo, continuo beijando
e começo a meter com mais cadência
mordo seus lábios
ela retribui no ato
que mulher! eu já a amo e nem lembro
seu nome

Ela começa a gemer cada vez mais e mais alto
e o som de seu prazer vaga pelo quarto
beijando as paredes
compondo a mais bela sinfonia da manhã
então eu sinto que
poderia passar o resto dos meus dias dentro dela
e ela tenta dizer que vai gozar entre os beijos
eu continuo metendo
e quando sinto ela tremer paro de súbito
e pulso dentro dela, como um coração
recém nascido

Eu queria, gozar dentro
mas ainda prezo pela minha vida boêmia e vagabunda
então
gozo em cima de sua coxa direita
e depois de fazer,
percebo uma tatuagem em suas costelas
uma chave

‘’merda’’ pensei, deveria ter gozado em cima da chave…

Depois de gozar, tudo se torna mais suportável
eu pensei em pedir o nome, mas também pensei que
talvez eu pudesse querer fode-la de novo
então eu não digo nada,
aconchego-me nas suas costas
escuto o motor dos carros
os cachorros latindo
as janelas batendo
o martelar de uma obra
e vozes de velhas senhoras

Ela se mexe um pouco
ajeita sua calcinha
segura o meu pau gentilmente
e sorri para as paredes, sem mostrar os dentes
eu sorrio da mesma maneira
enquanto sinto meu tornozelo gritar
bom, não se pode esperar que TUDO fique bem…

Poema de: Vinícius Prestes

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