– Vê aqueles Atormentadores? Fustigam os Condenados com tridentes em brasa e chibatas de fogo. E eles correm de um lado para o outro, apenas para encontrar um segundo Atormentador fugindo do primeiro. É um jogo para eles. Vê como riem? Há exatamente um Atormentador para cada dez Condenados. E eles ficam nas bordas da massa. A impressão é que são profetas conduzindo com suas varas os movimentos misteriosos de uma maré que grita, chora e geme. E o jogo nunca acaba.
– É cruel e sem sentido.
– Apenas porque você ainda não entendeu o ponto.
– Existe um ponto?
– Claro que existe. Os Atormentadores são figuras impressionantes, de fato. Mas perceba que não são muito altos. Um Atormentador contra um Condenado seria uma luta injusta. Mas dois Condenados já causariam ao Atormentador alguma dificuldade. Três Condenados seria uma luta injusta contra o Atormentador. E cinco ou mais fariam picadinho dele.
– Mas… se é assim… por que não os enfrentam? Você disse que estão na proporção de dez para um. Bastaria que se unissem!
– Esse é justamente o ponto, visitante. Se eles soubessem ou quisessem fazer isso, não estariam aqui.

Texto de: Luiz Hasse

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