Certo tempo em um corredor frio me peguei com meus botões analisando uma máquina de café.

Como a dispersão imediata de nosso tempo nos faz encontrar delírios onde talvez nunca houvesse.

Saco uma moeda e coloco na máquina. Por alguns segundos ela me devolve. Insisto por algumas vezes até ela aceitar.

Escolho um café forte. Sei que meu estomago não aguenta. Mas é o que minha cabeça precisa.

Pego aquele café com um zelo que jamais tive. Sento na cadeira dura do corredor frio e penso que, talvez, não poderia pensar.

Já perdi a conta de quantos café. Perdi a conta de quantas horas. Perdi a conta de quantas orações.

Morri mais de uma vez pensando no porque ele está indo. O porquê da inexistência da cura. O porquê de meus pensamentos estarem indo juntos

Hoje já não existe nem mais a máquina de café.

Ele está se esvaindo aos poucos.

Não consigo evitar.

Junto com ele talvez a parte mais forte de mim está indo embora.

Minha maior proteção.

Não sei como agir.

Nesse momento travei nas palavras,  como travei você em pensamentos.

Vai tranquilo, que logo,  seguirei atrás.

 

Texto de: Mauricio Prestes

Curta a Pulp Stories!