– Krabs, esse é o homem que te falei, o Doutor Ministrum.

– Nome estranho – resmungou Krabs.

Estavam todos no escritório de George Thadeus, o grande executivo. Mas era uma reunião privada. Apenas três homens. Krabs não gostou do rosto do homem tão logo o viu. O Doutor retirou de sua sacola o aparelho. Uma antena parabólica, uma caixa suja e um alto-falante.

– O que exatamente isso deveria fazer? – perguntou Krabs com desdém.

Ele era desagradável, baixinho e untuoso. Nem o chefe gostava dele. Mas George era inteligente o suficiente para manter uma pessoa competente empregada. E tanto era que Krabs agora era seu assistente pessoal. Começara como contínuo, quando isso ainda existia.

– Bem – disse o professor – isso é uma receptor tele-empático. Eu não se se vocês sabem, mas desde o fim da Era Atômica, foi provado que telepatas existem. Ou pelo menos passaram a existir depois das bombas. Tudo bem que não há um consenso sobre como funciona, mas funciona. E as ondas cerebrais são diferentes. Tudo o que eu fiz foi gerar um alarme.

– Entende agora, Krabs? Isso resolverá nosso problema. É evidente que há um telepata em nossos funcionários. Como é que sempre roubam nossas ideias?

– Krabs… chefe… eu não tenho motivo pra acreditar nisso… são ideias…

– Por que me chamou de Krabs?

– Permitam-me uma demonstração. O doutor apertou o aparelho com brutalidade. O botão rangeu. Mas no lugar de um apito ou mesmo de silêncio, veio uma voz entrecortada e mecânica como a de um robô.

– ELES VÃO ME DESCOBRIR ELES JÁ ME DESCOBRIRAM O CHEFE VAI ME DEMITIR OU FAZER COISA P IOR A NÃO SER QUE EU…

“De onde ele tirou isso?

Como conseguiu?”

Com a arma que havia na gaveta de George, Krabs apontou para o doutor, cheio de ódio, ele levantou as mãos, como se fosse se explicar, mas a bala destruiu sua cabeça.

– TESTEMUNHA PRECISO ACABAR COM TODAS AS TESTEMUNHAS.

– Krabs! NÃO!

Para o chefe ele disparou três. Odiava-o. O terceiro foi na cabeça.

– Nunca vendi um segredo seu, seu imundo!

– A POLÍCIA VIRÁ SALA CHEIA DE SANGUE É O FIM É INFERNO QUE ME AGUARDA NA CADEIAAAAAAAA…

A voz se transformou num zumbido estático. O aparelho soltou uma faísca e fumegou. Destruído. Krabs aponto para si mesmo. Só havia uma coisa a fazer. . . .

– Lamento, professor Nicholas, mas não temos utilidade pra isso. Quer dizer… a teoria é perfeita. Sua demonstração foi boa. Mas se o aparelho não emite um único bipe, significa que ou não temos telepatas aqui ou que ele não funciona. E, de qualquer forma, é inútil pra nós.

– Sim, senhor – disse o professor – vou me livrar disso e voltar pra prancheta.

– Faça isso – disse Carlos, careca, alto, longilíneo

– Agradeço a todos e a reunião da diretoria está encerrada. Boa noite. . . .

Nos subterrâneos da Companhia ficava um velho incinerador de lixo. Tecnologia autossustentável. Gerava a própria energia do prédio. Polansky, o zelador, empurrou o carrinho com tralhas velhas até a entrada. Gostava do emprego porque nunca lidara bem com pessoas. Lia e fazia exercícios a vontade isolado ali. Pensara até mesmo em se mudar, mas a Diretoria não permitiria. A esteira levava outra pilha de entulhos. Entre elas as invenções fracassadas daquele maluco que passava horas e horas no laboratório fazendo barulho e o impedindo de dormir.

– Não sei se deveria estar fazendo isso… – disse uma voz mecânica e aguda na pilha de lixo. “Há alguém ali!” – pensou Polansky. Mas as chamas se ergueram e tudo virou cinzas.

Texto de: L.A. Hasse
Curta a Pulp Stories!