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Foi em uma noite fria de inverno a mais ou menos uns vinte anos atrás. Lembro me como se fosse hoje. Na época eu dividia apartamento com um colega de faculdade chamado Inácio.

Inácio era um cara legal, nunca tive problema algum com ele. A paz reinava entre nós, até ela aparecer. Ela que me refiro, uma garota chamada Danuzia.

Danuzia era o tipo de mulher que enchia o saco de qualquer um. Não era uma garota bela, até um pouco acima do peso. Cabelos longos pretos e um senso de humor filho da puta.

Meu amigo Inácio, era um rapaz inocente na época, creio que foi o primeiro rabo de saia que surgiu em sua vida

Danuzia nunca foi com minha cara. De alguma maneira, eu a achava estranha e alertava o idiota do Inácio para se cuidar com ela. O problema é quando o ardor do meio das pernas fala mais alto, os ouvidos ensurdecem

Era um sábado à noite. Eu tomava minha ceva e assistia um jogo bosta de futebol na televisão. Minha vontade era estar na zona correndo puta, mas como já era fim de mês, estava completamente liso. Naquela época ainda não era, “Jack Bailarino.” Era apenas Jack o cara que trabalhava no xerox da universidade e fazia alguns extras de segurança em festas de ricaços.

Inácio adentrou no apartamento com uma inquietude fora do normal. Caminhava como se fosse uma enceradeira de um lado a outro. Até que falou:

– Jack. Preciso lhe falar algo.

Olhei para Inácio, que olhava me com uma cara de choro e não dizia nada.

– Desembucha de uma vez Inácio. O que pode ser tão sério em um sábado à noite. Senta ai e vamos tomar uma breja.

– Não Jack, não quero cerveja. O que preciso lhe falar é que vou morar com a Danuzia. E saio essa noite ainda daqui.

– Porra Inácio sábado à noite, não fode. Toma uma ceva ai e resolvemos essa parada segunda.

– Estou saindo agora Jack. E preciso que me dê uma carona. Quero levar algumas roupas e pertences.

– Puta que pariu Inácio. O que te deu caralho? O que aquela biscatezinha tem no meio das pernas? Ela fritou teu cérebro porra.

– Só me dê uma carona Jack e nada mais.

– Relaxa ai amigão. Senta toma uma ceva. Vou arrumar uma meia dúzia de putas e vai ficar tudo na boa.

– Porra Jack. Será que você não entende que não quero mais sua companhia.

Por alguns segundos fiquei encarando Inácio olho no olho. Poderia acabar com ele fácil. Inácio não era do tipo de cara que arranjaria uma briga. Eu ao contrário era uma bomba relógio.

– Está bem Inácio. Para onde você quer, que eu te leve?

– Não é muito longe daqui, alguns quarteirões ao sul da cidade.

– Ok. Vou fazer funcionar o carro enquanto pega suas coisas.

– A Danuzia está lá fora. Ela vai junto Jack.

Olhei para Inácio, não disse uma palavra, apenas peguei minha ceva dei um gole e sai. Pensava comigo mesmo. Como um homem aceita ir para o inferno com o Diabo de anfitrião.

Peguei meu revolver calibre 32, na época era a única coisa que conseguira. E fui tentar fazer pegar meu velho fiat cento e quarenta e sete que deixara na rua. Nosso apartamento era em frente ao campus universitário, era comum deixarmos todos carros na rua. Era uma região em que geralmente apenas estudantes circulavam.

Cheguei ao meu Fiat. A biscatona da Danuzia, já estava aguardando. Trocamos aqueles olhares que se fossemos falar algo um para outro, iria dar merda.

Entrei no carro, e por milagre ele pegou de primeira. Logo veio Inácio com algumas mochilas. Inácio entrou na frente e Danuzia atrás. Liguei o carro e desloquei em direção à zona sul da cidade, que era um local bem desabitado e cheio de vielas escuras.

– Onde é o lugar Inácio?

– Passa o cemitério e pega a primeira rua direita Jack

Foi o único dialogo que eu e Inácio tivemos em vinte minutos de viagem até a zona sul. Avistei o tal cemitério, era um lugar horrível, deserto. Não conseguia visualizar quase nada próximo.

– Tem certeza que é aqui Inácio.

– Tenho sim Jack. Estamos perto Danuzia?

Falou Inácio olhando para trás.

– Danuzia você está bem? O que está acontecendo?

Senti um certo ar de apavoramento na voz de Inácio. Parei o carro e olhei para trás para ver o que havia acontecido com a biscate. Foi uma visão intrigante. A vagabunda babava mais que filhote de buldogue. Seus cabelos espetados como se tivesse levado um choque. Seus olhos pareciam duas tochas de fogo. Inácio apavorado, mais uma vez falou:

– Danuzia pela amor de Deus…O que está acontecendo contigo?

A vagabunda na mesma hora pulou em Inácio, e lhe deu uma mordida na mão direita lhe arrancando metade dos dedos. Puta que pariu pensei. Me deu uns dez tipos de arrepios diferente. Na mesma hora abri a porta do Fiat e cai de costas no chão da estrada.

Inácio gritava mais que um bebe novo. Mesmo deitado puxei meu revolver calibre trinta e dois, e gritei:

– Ei sua vaca. Olha que eu tenho para você aqui.

Danuzia largou Inácio quando escutou meu grito. Ela já havia comido metade de seu braço. O demônio veio em minha direção, como um leão querendo pegar sua presa. Mais rápido que pude, mirei e atirei bem dentro de sua boca.

A vadia deu um grito assustador, e sai voando igual um balão quando se enche e solta para ver ele murchar. Levantei rápido e me escorei em cima do carro para fazer mira. Talvez o demônio não tivesse morrido. Nada mais se via. Danuzia despareceu literalmente na escuridão em frente ao cemitério.

Olhei para Inácio, ele estava em estado de choque. Segurava apenas um toco de braço com os olhos vidrados no horizonte. Levei o mais rápido que pude para o hospital.

Inácio não morreu. Fui visita ló todos os dias no hospital durante um mês inteiro. Ele não falava uma palavra se quer comigo durante as visitas. No trigésimo segundo dia quando fui visita ló, a recepcionista me informou que ele havia sido transferido de hospital e não tinha autorização de me passar o endereço. Eu nunca mais vi Inácio.

Refiz algumas vezes o mesmo caminho para ver se encontrava algo que me explicasse o que havia acontecido. Parava sempre em frente ao cemitério, e ficava observando por algum tempo, na esperança que o demônio Danuzia surgisse do nada, para poder meter fogo no rabo dela. Mas nunca mais aconteceu. O capeta sabe para quem aparece.

Só uma dica, antes de arranjar uma namorada, compre uma arma e jogue água benta nela para ver se ela não vira uma vaca demoníaca e queira arrancar sua cabeça.

Texto de: Mauricio Prestes

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