Na cidade de São Francisco, na câmara de vereadores, transcorria uma sessão ordinária cuja votação destinava-se a decidir o nome de uma rua recém inaugurada da cidade. Quinze vereadores estavam decidindo entre Rua Deus te Guarde ou Rua do Socorro (ninguém se deu ao trabalho de perguntar o por que tais nomes foram trazidos à baila).  Depois da votação a sessão findou-se, um deles, o ilustre vereador Teobaldo Duarte levantou-se e dirigiu-se ao seu gabinete. Era um senhor na casa dos cinquenta anos, acima do peso, com bochechas caídas, lembrando um buldogue, mas muito bem vestido, de terno e gravata.

Logo depois que Teobaldo entrara no gabinete, uma moça morena, de saia e corpo atlético, adentrou logo atrás dele.

– Boa tarde, pai! – ela disse.

– Oh olá, Antônia, minha filha! – Teobaldo respondeu.

– Pai vou precisar do carro hoje a noite pra sair com minha namorada – Antônia começou.

– “Namorada”? Mas e aquele seu namorado, aquele hippie… – retrucou Teobaldo.

– Terminamos semana passada, pai. Agora estou com a Silvia. Já fale dela pra você.

– Hmff sim, eu havia esquecido – ele respondeu suspirando.

– Ah e hoje à tarde irei à manifestação no centro –  ela continuou.

– Mas filha eu já falei pra você. Manifestação é coisa de vagabundo e desocupado. Onde já se viu um mundaréu de gente fazendo baderna a tarde, no meio da semana?

– Pai! Você não entende…

– E tem mais! Esse negócio de namorada tem que acabar também, filha. Coloque os pés no chão e arrume um namoradinho decente pra você como todas as suas amigas fizeram. Você já tem vinte anos, ora essa.

– Ai, não aguento mais. Você um careta machista reacionário! – ela bradou ao sair do gabinete batendo a porta atrás de si.

– Ainda vou lhe tirar do meu testamento, menina! – Teobaldo gritou de volta.

Teobaldo ficou ali secando o suor que escorria da testa com um lenço. Depois juntou as suas coisas, colocou em sua pasta e saiu da câmara. Naquele dia chegara às dez da manhã e estava saindo às duas da tarde.

No transito ligou o telefone celular com o carro em movimento e discou um numero. Uma voz feminina atendeu.

– Oi amor – ele começou. – Olha só, briguei novamente com a Antônia. Aquela menina não tem jeito, Marta.

– Fique tranquilo querido. Já já ela toma jeito. Ela é uma menina ainda – Marta respondeu do outro lado da linha.

– Você é uma eterna otimista, esposa. Bom, tenho que desligar, tem um guardinha ali na frente. Chego aí em meia hora.

Ao chegar em casa – na verdade uma mansão -, abriu a garagem e posicionou o carro ao lado de outros dois que lá estavam estacionados. Ao entrar, cumprimentou a esposa com um beijinho. Tirou os sapatos, pegou o controle da TV, e sentou-se confortavelmente no sofá da sala, com uma lata de cerveja na mão.

Depois de cerca de duas horas, quando Teobaldo estava quase pegando no sono, o celular tocou.

Ele atendeu num sobressalto.

– Alô, vereador Teobaldo? É o inspetor Miro da policia civil. Tenho más notícias. Sua filha foi sequestrada essa tarde.

A lata de cerveja caiu-lhe da mão.

Em tempo: a Rua do Socorro ganhara a votação da câmara naquela tarde.

. . .

Antônia não conseguia enxergar nada e estava desconfortavelmente alocada no porta-malas de um carro, um dos pequenos. Uma Brasília, Variante talvez, pelo barulho do motor batedeira. Estava com um capuz na cabeça e com as mãos amarradas.

Depois de um tempo rodando por uma estrada de chão esburacada, ouviu a tampa do porta-malas sendo aberta quando quatro mãos a agarraram pelos braços e pernas e carregaram para fora. Ela gritava por socorro, mas pelo que podia ouvir, estava no meio do mato.

– Devagar, com cuidado pra não machucar a moça, seu cuzco malcheiroso – uma voz masculina disse.

Os dois homens carregaram-na em direção a uma casinha de madeira enquanto que um cachorro pitbull feroz latia para eles. Eles ignoraram o cão e entraram com a moça para dentro. Colocaram-na em um quartinho, em cima da cama. Ao retirarem o capuz da moça, ela gritou de susto.

– Cruzes! – ela disse.

Na frente dela havia um homem quase calvo, baixinho, de cabeça chata. Ele estava sentado em uma cadeira, à frente da cama.

– Não adianta gritar, nem pedir socorro. Nós temos o seu celular e estamos no meio do nada. Agora você fará tudo o que mandarmos se não quiser se machucar, e seu pai vai ter que pagar uma nota preta se quiser ver seu rostinho lindo novamente – disse ao dar uma risadinha no final.

Nisso, outro homem, esse mais alto, mas completamente careca entrou no quarto, para fechar a dupla de sequestradores.

– Rufino, você quer deixar a moça assustada pra que, seu jumento? – o mais alto disse.

– Mas agora somos bandidos, Gaspar. Eu sou um bandido e dos brabos, oras! – respondeu Rufino.

– Ai caceta. Nós não somos bandidos. Moça fique calma, nós não vamos te machucar, ta bom?

– Como assim “não somos bandidos”? Eu até consegui um revolver, olha aqui – Rufino disse retirando uma pistola de trás de suas costas, que estava presa ao seu cinto.

– Que porra é essa, Rufino? De onde você tirou essa porcaria? – Gaspar repreendeu gesticulando.

– Peguei emprestado de um primo meu, ué.

– Vem cá, seu pamonha. Com licença moça – Gaspar puxou Rufino pela orelha e o tirou do quarto deixando Antônia sozinha na cama, com as mãos amarradas.

Quando os dois estavam no outro cômodo Gaspar começou.

– O que você pensa que esta fazendo?

– Encarnando o personagem. Gângster da máfia.

– Então pare agora mesmo. A gente não é bandido, sequestramos essa menina porque o chefe esta nos pagando pra isso. Só isso, então para com essa bobagem.

Enquanto conversavam o cachorro latia cada vez mais alto e parecia mais bravo.

– E o que há com esse cachorro afinal? – Gaspar perguntou.

– Ah ele sempre foi assim, minha mãe pegou ele na rua e parece que cada dia que passa ele fica mais louco. Um dia ele comeu um sapato dela numa bocada só. Foi impressionante.

– Por que não se livram dele?

– Está louco? Ele é parte da família. Se mamãe souber que fiz mal a ele, ela me esfola vivo e estende minha pele no varal.

– Ok, ok. Vamos repassar o que vamos fazer agora em diante… Espera aí. O cachorro parou de latir? E que barulho é esse dentro do quarto?

Rufino deu de ombros e foi verificar. Vagarosamente foi até a porta do quarto e colocou a cabeça para olhar para dentro. Viu que Antônia brincava com o pitbull e com uma bolinha que ele trouxera ao pular a janela para dentro do quarto.

– Virge! – Rufino disse. – Ela acalmou o cachorro e agora ta brincando com ele.

Interrompendo a fala de Rufino, um carro freou na frente da casa. Era um Opala cor de cenoura e, desse, saltou um homem. Gaspar e Rufino então ouviram passos lentos e pesados se aproximando da porta.

Ouviram então batidas fortes na porta.

– Abram a porta, miseráveis. Aqui é o Jeronimo do Opalão!

Gaspar e Rufino hesitaram por um instante, claramente não esperavam visitas, principalmente com uma cativa em casa, mas Gaspar se adiantou e abriu a porta.

– Ah! Boa tarde – disse Gaspar.

Jeronimo era um homem alto com a pele escura como um indígena. Trajava uma jaqueta e chapéu pretos.

– Boa tarde o rabo do ouriço! Onde esta meu dinheiro? – Jeronimo respondeu já entrando na casa empurrando Gaspar.

– Precisamos de mais tempo para levantar a grana – Gaspar respondeu.

– Sim, isso mesmo. Agora vamos conseguir essa grana facinho, facinho, você vai ver só – Rufino disse rindo.

Jeronimo aproximou-se devagar de Rufino olhando-o bem nos olhos, fazendo ficar evidente a diferença de altura entre um e outro. O menor se encolheu.

– Do que esse filhote de gonorreia esta falando? – Jeronimo perguntou.

– Nada, ele esta ficando louco – Gaspar respondeu.

Uma risada de Antônia vindo do quarto chamou a atenção do índio.

– Que desgrama é essa? – ele perguntou mais para si mesmo do que para a dupla.

Ele se afastou de Rufino e foi até o quarto e ali viu Antônia brincando ainda com o pitbull e a bolinha de plástico. Tanto que nem notou a presença dele à porta. O gigante indígena voltou-se para a dupla.

– Então esse é seu bilhete premiado? Pois bem, agora ele é meu. Traga ela para o meu carro.

Gaspar e Rufino entreolharam-se em consternação, mas não havia alternativa a não ser obedecer.

– E tragam o cão também! – disse Jeronimo saindo pela porta.

. . .

Uma Caravan branca e preta da polícia estava estacionada na porta da casa do agora desesperado vereador Teobaldo. Sua filha havia sido sequestrada já fazia cerca de 24 horas. La dentro o próprio vereador conversava com o inspetor da polícia, o Miro. Era um sujeito magrinho, de bigode, usava chapéu e frequentemente tinha um palito de dentes no canto da boca.

Marta, a esposa de Teobaldo e mãe da moça sequestrada, acompanhava a conversa a certa distancia, quase de outro cômodo.

– Quer dizer Miro, que a sua equipe já tem fortes indícios do paradeiro de minha filha Antônia?

– Oh sim, temos sim vereador. Acredito que entre hoje e amanhã a iremos encontrá-la, isso se o facínora não ligar e colocar suas exigências antes. Só temos um problema…

– Mas hein? Que problema?

– Bem, o senhor sabe que nosso batalhão sofre muito com baixo orçamento do estado, não é? Já pensou se enquanto perseguimos os bandidos a viatura ficar sem gasolina? Seria vergonhoso não é mesmo?

– Oh sim, isso seria terrível. De quanto você precisa, Miro?

– Eu não posso lhe pedir nada assim dessa forma, vereador. Veja o quanto o senhor pode contribuir.

Teobaldo foi até o cofre que tinha atrás de um quadro, pegou um punhado de dinheiro, contou e entregou a Miro.

– Assim está bom, inspetor?

– Sabe como é vereador, os meninos que estão em campo, eles tiveram atraso no salario esse mês…

– Mas que infortúnio! Aqui, leve mais essa quantia – Teobaldo respondeu entregando mais notas ao inspetor.

Assistindo a essa cena, Marta gesticulava em polvorosa para Teobaldo, indignada. O vereador gesticulava de volta como que pedindo para que ficasse quieta.

– Perfeito, vereador! Com essa quantia podemos continuar o trabalho. Ah mas um instante. Talvez precisemos pedir apoio aéreo de um helicóptero vindo da capital, aqui pertinho. Tudo é possível, não é, doutor?

– Assim você quer me quebrar, Miro! – Teobaldo respondeu passando o lenço na testa.

– Queisso, doutor. De jeito nenhum. Apenas estou tentando oferecer um incremento ao serviço que prestamos. Ou o senhor quer o mesmo nível de serviço que oferecemos ao restante da população? – perguntou erguendo uma das sobrancelhas.

– Deus me livre! Aqui, pegue mais isso – Teobaldo retirou mais três punhados de notas e entregou às mãos de Miro.

– Até o final da semana sua filha estará sã e salva em casa, vereador! Muito obrigado – disse o inspetor. Cumprimentou Teobaldo e se retirou, dando adeus à Marta na saída.

Marta então se aproximou de Teobaldo, que assistia a saída do policial.

– Teobaldo, esta na cara que esse jagunço e seus homens são incompetentes, além de idiotas completos! – ela bradou.

– Mas o que você queria que eu fizesse? Contratasse um pistoleiro?

– Você não. Mas eu sim! Chamei meu primo Giancarlo. Ele chega hoje à cidade. Ele sim vai tratar o assunto com a seriedade que ele merece.

– Ah Marta, seu primo é da máfia italiana. Ele vai fazer uma bagunça na cidade. Não acredito que você fez isso pelas minhas costas.

– Era preciso Teobaldo. Era preciso! Vou deixar o destino de minha filha nas mãos desses cretinos? Nunca!

. . .

Miro estacionou a Caravan branca e preta da polícia em frente à casa de Rufino, que agora estava vazia. Tanto Antônia, como seus captores – e o próprio cachorro – haviam desaparecido. Na cidade ao perguntar sobre o paradeiro da moça, testemunhas afirmaram que a viram ser posta em um porta-malas de uma Variante vermelha. Carro esse ainda estacionado ali próximo.

Examinou as marcas de pneu largas que havia no barro, bem como um vazamento de óleo. E nenhum outro carro é tão possante e que vaze óleo daquela maneira na cidade, apenas o Opala do Jeronimo do Opalão.

Assim sendo, tornou-se fácil para Miro saber onde deveria procurar.

No entanto, antes que pudesse retornar ao carro Miro viu um fusca cinza parar ao lado da viatura. Ao abrir a porta um moço jovem, com um grande topete com gel e jaqueta preta saltou do carro.

– Bongiorno – disse o jovem.

– Bom dia – respondeu Miro.

– Mio nome é Giancarlo. Sou primo de Marta, esposa do vereador Teobaldo. Também estou procurando por Antônia.

– Oi? – Miro voltou a responder.

– Presumo que posso acompanhar o nobre amigo para encontra-la?

– Veja bem, meu jovem. Essa é uma tarefa arriscadíssima para a força policial da cidade. O melhor é você deixar eu fazer o meu trabalho em paz, certo? Atrapalhar-me poderia caracterizar obstrução da justiça.

– Mas nada impede que eu o siga com meu carro, não é?

– Bem, esse é um país livre e as ruas são publicas – respondeu Miro dando de ombros e entrando no carro.

Tanto a Caravan quanto o Fusca saíram em direção à cidade, erguendo poeira da estrada de chão.

Ambos os carros pararam na frente da mansão do vereador, e Miro e Giancarlo entraram na casa. Teobaldo e Marta estavam em casa, colados ao telefone esperando o contato do sequestrador.

– Tenho uma forte pista do paradeiro de Antônia, vereador! – disse Miro.

– Oh graças a deus, inspetor. E que pista é essa?

– Jeronimo do Opalão.

– Virge santa, esse índio é casca grossa, não é?

– Sim, ele tem um histórico peculiar, mas sabemos onde ele mora e estou indo pra lá agora mesmo com outra viatura no apoio.

– Nós vamos junto! Aguarde enquanto pego o carro – Teobaldo respondeu.

– Mas doutor, veja bem , essa é uma operação perigosa.

– Não me interessa, inspetor! Se Antônia esta na casa daquele índio é pra lá que eu vou! Vamos Marta.

E assim se foram. A Caravan, o Fusca e uma Mercedez Benz em direção à casa de Jeronimo.

A casa do indígena era simples e pequena, menor que a de Rufino. Antônia estava agora sentada em um canto no chão em um quartinho, e o cão pitbull estava ao seu lado. Ela continuava com as mãos amarradas.

Em outro cômodo, na sala, estavam sentados à mesa Jeronimo, Gaspar e Rufino.

– Muito bem, e agora o que a gente faz? – Gaspar perguntou.

– Descobrimos o telefone do pai da moça e exigimos o resgate. E se ele não obedecer mandamos um pedacinho dela por dia para ele. Simples assim – Jeronimo replicou.

– Isso é um pouco selvagem, até mesmo pra você, não? – disse Rufino para o índio.

– Ele esta falando sério? – Jeronimo perguntou para Gaspar apontando para Rufino com o dedo polegar.

– Rufino, cala a boca. Deixa a gente pensar no que fazer – Gaspar disse.

Nisso um barulho de sirenes e pneus freando interromperam o dialogo entre os três bandidos.

– Ih fodeu – Rufino disse.

– Atenção marginais vagabundos! Sabemos que a moça esta aí com vocês! Entreguem-na e saiam com as mãos para cima! – dizia Miro do lado de fora, falando a um megafone.

. . .

Do lado de fora da casa estavam o vereador Teobaldo e sua esposa Marta, pais de Antônia, a sequestrada; o inspetor Miro e mais três policiais; e Giancarlo o jovem italiano do topete. Enquanto que dentro da casa os três bandidos Jeronimo do Opalão, Gaspar e Rufino mantinham Antônia cativa. Ah e um cachorro também.

– Rendam-se seus marginais! A casa esta cercada! – dizia Miro pelo megafone.

Enquanto que da casa nenhum som era emitido.

– É inutil, il mio amico ispettore – disse Giancarlo aproximando-se do portão da casa.

– O que? Fique aqui seu maluco! – Miro bradou.

– Nada tema. Eu sei me cuidar. Ei malfeitor! Você, índio. Venha aqui fora e me enfrente em um duelo de pistolas, estilo velho oeste! O que me diz?

Um estampido fez-se escutar de dentro da casa, e imediatamente Giancarlo caiu alvejado por um tiro.

– Seu piolhento burro! Só porque tenho cara de índio acha que sou idiota? – gritou Jeronimo após acertar o italiano.

– Não! – gritou Marta se aproximando de Giancarlo, que levara o tiro no ombro, e estava em estado de choque.

Marta o confortou em seu colo à medida que gritava impropérios e chorava.

Dentro da casa, Jeronimo, sem paciência, puxou Antônia com força pelo braço enquanto o cachorro latia ferozmente. Gaspar e Rufino não se intrometeram.

– Ai para seu bruto! Me solta! – Antônia protestava.

– Vou mostrar o bilhetinho premiado para a policia e para o seu papai vereador. Vamos ver se isso os sensibiliza.

– Espere, eu tenho uma coisa pra dizer – ela respondeu.

Cinco minutos depois Jeronimo saiu da casa com as mãos para o alto, num ato de rendição. Miro olhou para os outros três policiais e ergueu os ombros sem entender o que ocorria.

– Peguem ele, rapazes – disse.

Enquanto os policiais rendiam o gigante indígena, Gaspar e Rufino vinham logo atrás, também com as mãos para o alto.

– Chefe? O que a senhora faz aqui? – Gaspar perguntou olhando para Marta, que tentou disfarçar momentaneamente entre as lagrimas.

– Chefe? Que história é essa? – perguntou Teobaldo. – Marta quer dizer que foi você…?

– Sim, Teobaldo. Eu encomendei o sequestro de nossa filha. E procurei esses incompetentes porque sabia que não iam machuca-la.

– Um instante, Marta. Você estava procurando uma desculpa para trazer seu primo de volta por que…?

– Porque eu o amo, Teobaldo. Sempre o amei. Eu achei que poderia tê-lo de volta.

– Oh Marta, sua grande idiota. Eu sabia que nosso casamento estava por um fio, não havia mais amor entre nós. Mas colocar Antônia em risco? Nunca imaginei que você seria capaz disso. Vamos, entre em uma das viaturas, não quero que Antônia veja a mãe nesse momento de vergonha!

Marta obedeceu. Um dos policiais a algemou e a colocou no carro.

Finalmente Antônia saiu da casa, com o cachorro atrás dela. Correu para os braços do pai, que, esquecendo-se da traição da esposa acolheu a filha com um abraço de pai.

– Oh minha filha querida! Minha filha querida. Esses facínoras fizeram-lhe algum mal?

– Não pai. Ninguém me tratou mal.

Dois policiais traziam Jeronimo algemado e iam colocando-o em uma das viaturas.

– Parabéns, menina – ele disse para Antônia.

Por fim Teobaldo, Antônia e o cachorro foram em direção ao carro do vereador.

– Eu gostei desse cãozinho pai. Quero ficar com ele.

-Cãozinho filha? É um pitbull. Ele vai arruinar nosso jardim, nossos móveis.

– Pai…

– Ta bom, ta bom. Pode manter o cachorro. Dos males o menor, não é?

– Hã, pai. Eu preciso lhe falar. Sabe por que os bandidos se renderam? Porque eles não queriam ter uma possível morte de um bebê na consciência. Eu estou grávida, pai.

– Oi? Que?

– Gravida.

– Mas como? Daquele… Daquele hippie?

– Sim desse mesmo, mas não vou ficar com ele. Eu amo a Silvia, pai.

Teobaldo então secou o suor da testa com seu lenço.

Fim.

Texto de: Adriano Cardoso

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