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CAPITULO III

Droga de noite!
Ninguém conhecido, ninguém interessante. A caminhada fora longa.
Também… que esperar duma quarta-feira?
E o pior, como às vezes acontece na primavera, esfriara de repente. E ela estava enfurnada no casaco, com o capuz sobre a cabeça. A mãe tinha razão.
Subitamente, lhe ocorreu uma idéia deliciosamente perversa.
Podia dar uma olhada, não podia?
Só uma olhadinha…
Que perigo ela corria? Era só uma menina… mas era bem esperta.
Minutos depois, estava andando por aquela rua que fazia caminho para sua escola. A mesma rua de todas as manhãs.
De repente…
Só podia ser provocação!
Ele não só era LINDO…
…sarado, carinha de mau, pele trigueira e olhos bem claros, vestido como alguém assim deve se vestir…
…como também estava parado justamente lá!
Bem na frente do maldito edifício abandonado.
Ela hesitou um pouco, olhando para ele do outro lado da rua. Sem mover nada além dos olhos, ele devolveu o olhar. Firme. Poderoso. Hipnótico.
O tipo de “encarada” que arrepia a gente da nuca até o cóccix.
Ela sorriu pra ele e, mordendo os lábios, caminhou até lá.
Rua deserta, ninguém olhando. A mágica do perigo!
-Oi, você me chamou?
-Fiquei com vontade, não chamei. Mas que bom que você veio.
-Eu acho que eu leio mentes…
Ele estranhou a piada. Ela sorriu da sua cara de bobo.
-Tá fazendo o quê aí, mora por perto?
-Não – respondeu ele, olhando rapidamente sobre o ombro – estou de passagem. Sou de fora.
-Hmmm… adoro estranho misterioso…
-Puxa! Você é bem direta…
-Tá me chamando de quê?! – respondeu ela enfezada.
-De que você quer que eu te chame? Adorei teu jeito.
-Brigada… – sorriu mexendo no cabelo
-Qual é teu nome?
-Mmm… não sei se eu devo dizer…
-Por que não? Eu te digo o meu, e a gente fica amigo.
-É só amizade que você quer, gato?
Ele ficou sem palavras, mas muito satisfeito. Em seguida, inclinou-se para ela.
-Aqui não – deteve-o com um gesto, olhando, agora subitamente amedrontada, para a sombra do edifício – sabe o shopping, aqui perto?
-Sei… mas ele não tá fechado?
-O vigia é meu tio… ele tá de folga essa noite e não tem ninguém lá!
Ela tirou do bolso uma chave e pôs na mão dele.
-Porta pequena do lado do estacionamento. Eu te encontro daqui há pouco, tenho uma coisa pra fazer antes. Lá eu te falo meu… nome.
Deu-lhe um rápido “selinho”.
Já correndo, falou:
-Não me deixa esperando, lindo.
Ele sorriu, confiante.
No controle total da situação.

Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

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