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CAPITULO II

 

A mãe estava na sala, sentada diante da mesa, CD tocando uma MPB romântica, calma e alegre. Uma mulher madura – mas ainda muito bonita. Mais séria e altiva que a filha, menos espontânea, mas tão confiante quanto. Diante de seus olhos, sobre a mesa de madeira, um jornal. A menina passou por ela. Camiseta baby-look e jeans em um número menor que o seu. Tênis típico de esporte. As roupas não eram novas. Cabelo preso num rabo de cavalo.

-Oi, mãe.

-Como assim, “oi” e vou pra porta? Alguma coisa aí está errada!

A menina parou. Esse tipo de saudação não era normal.

-Que bicho te mordeu, mãe?

-O mesmo que mordeu essa pessoa aqui.

Ergueu o jornal por baixo de um olhar que misturava medo, censura e amor.

CORPO DE JOVEM ENCONTRADO EM EDIFÍCIO ABANDONADO

A polícia não tem pistas, mas acredita em assassinato relacionado a outros desaparecimentos.

A menina ficou em dúvida sobre o que dizer.

-Bom… acontece, né?

-Acontece, querida? O prédio da notícia é aquele que fica a duas quadras da tua escola. Não identificaram ainda, tava despedaçado. Podia ser um colega teu. Ou uma colega.

Fez uma pausa e acrescentou:

-Talvez seja.

A menina arregalou os olhos. Gelada pelo medo súbito. Não disse nada.

-Você encontrou amigos por perto lá várias vezes, não é? E sempre me jurou que o lugar era seguro. Pois agora não é mais.

-Mãe eu…

-Não precisa dizer nada. Vai sair?

-Queria…

-Então vai. Que o susto te sirva de aviso. Só quero o teu bem, sabia disso?

-Claro, mamãe.

-Toma cuidado. Essa cidade tá cada vez mais perigosa. Pega o casaco quando sair…

-Mãe!

-Pode esfriar. Faz favor e pega o casaco, sim?

De cara fechada, ela apanhou sobre uma cadeira o casaquinho de lã com capuz que a mãe vivia obrigando-a a vestir. Gostava do casaco. Mas odiava ter que levá-lo a força. Era vermelho.

-Tchau, mamãe!

-Tchau, querida, divirta-se. Volte cedo… ou me avise onde está se for demorar.

Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

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