Toda vez que acordo cedo, por volta das cinco horas da manhã percebo que a cada dia o universo muda alguma coisa, mesmo que minima…

Acordo, faço meu fogo em uma fogão a lenha antigo, boto a água esquentar em um bule que tenho um carinho especial, aguardo… e logo estarei passando um café em um filtro de pano que eu mesmo teci.

O cheiro do café é incrível, não sou um grande admirador do gosto, mas seu cheiro é algo fantástico. Quando sinto esse seu aroma típico, lembro-me de minha primeira esposa, viciada em café.

Quebro dois ovos, e boto na frigideira para estralar. Depois de pronto, misturo com um mexido de feijão de ontem…

Ao lado do fogão a lenha, faço a minha primeira refeição do dia. Sempre gosto de colocar duas xícaras a mesa. Sei que não chegara mais ninguém para o café, mas gosto de manter uma essa ilusão.

Finalmente termino o café, chegou a hora de enfrentar o frio e agitar o dia…

A primeira tarefa que escolho é dar o milho para as galinhas. Quando era criança, era a tarefa que mais gostava de fazer com o meu avô.

Pego o balde, encho de milho, não preciso nem me esforçar muito para chamar as aves. Em poucos segundos estou cercado por elas. Galinhas, patos, gansos, perus, todos os bichos de penas que possuo, se encontravam naquele local, naquela hora…

Era incrível o poder que eu tinha, com um simples balde de milho. Aquele instante, eu criava um universo, meu próprio mundo, eu o milho e as aves.

Procurei por várias vezes achar sentido em minha vida… Hoje eu penso que o universo que criamos pra nós mesmos,  mesmo que pequenos ou medíocres, como jogar milho para as aves, esses sim valem a pena de ser criados e vividos…

Talvez amanhã eu não esteja aqui com esse balde de milho, alimentando minhas aves, mas hoje esse é o meu universo, o meu mundo, o que realmente importa…