Minha intenção era arrumar confusão, aliás sempre foi. Me chamo Rico Valdez, tenho vinte e três anos e desde que me conheço por gente, treta foi o meu nome.

Noite de sexta feira, fria e chuvosa. Não vai ser por esse motivo que vou me deixar de sair de casa, para arrumar uma boa confusão.

A última vez que sai, voltei com os dentes moles e um nariz estourado. Mas valeu a pena acabei com aquele boyzinho de merda na frente da namorada dele. Ele pagava uma banca de lutadorzinho de jiu jtsu, não foi o suficiente pra a malandragem da luta de rua.

Tem um parceiro que vai comigo, chamam ele de Testa. Nunca vi brigar, mais dizem que não arrega. Não sei com quem vai ser a treta hoje, só sei que vai ser louca.

Olha o testa esperando na esquina, esse e dos meu, cagando para chuva.

– Eae brow, tudo beleza.

– Beleza mano, qual vai ser a de hoje à noite?

– Vamos treta com os mano da pracinha, o que acha?

– Foi então.

– E nois.

Partimos em direção a pracinha, já estava estralando os dedos. Com certeza a galera da pracinha estariam em quatro ou cinco. Mas com a raiva que eu tinha daqueles maconheiros desgraçados não sabia contar…

A rua deserta e escura, a não ser por uns travecos que se encontravam escorados no muro antes da pracinha. Os veados trabalhavam até de guarda chuva. Eram três veados mostrando a bunda para quem passasse.

– Mudança de planos Testa. Que tu acha de acabar com esses veados escorados no muro?

– Foi então!

Cheguei próximo a um dos veados que estava escorado no muro, ele falou:

– Fala amor, afim de um boquete gostoso?

Ele mal terminou a frase, dei um soco em seu queixo de baixo para cima, o levei a nocaute. Quando os outros perceberam já estavam em baixo da porrada.

Testa que era maior que eu, porém mais magro. Chegou numa voadora pedalando a cara do outro traveco. O terceiro traveco, tentou fugir, mas testa rápido como um gato deu mais uma voadora certeira, dessa vez nas costas, e o fez cair de cara no chão.

Quando achava que a luta estaria ganha, o traveco que dei o primeiro soco levantou com o queixo torto e partiu para cima de mim. Ele era o mais baixinho dos três, porém parecia ser o mais forte. Ele me deu uma sequência de três ou quatro socos que me deixou zonzo.

Testa veio em minha ajuda para bater no traveco, foi quando lhe falei:

– Deixa para mim Testa, essa briga e minha!

Parti para cima dele com socos violentíssimos. O desgraçado aguentava apanhar bem, e mesmo com queixo torto ele batia muito. Foi uma trocação de socos limpa e franca.

No final ambos caímos extenuados no chão. Foi quando o traveco falou:

– Por hoje chega amorzinho, talvez outro dia…

Ele levantou, botou seu queixo no lugar, pegou seu guarda-chuva e saiu caminhando como se fosse uma madame.

Testa veio ao meu encontro, me estendeu a mão para me levantar. Estava morto de cansado, com o nariz mais uma vez estourado, talvez uns dois dentes quebrados.

Olhamos os outros dois travecos estirados no chão por mortos, e fomos embora curar meus ferimentos para próxima treta.