Link do capítulo anterior – pulpstories.com.br/…/o-demonio-do-sobrado-2

CAPITULO III

“O último homem casado dos Moreira Neves, que se chamava Augusto, e que tinha conseguido aumentar as terras da família três vezes, e uma cinco vezes o gado, só tinha tido um filho: que também se chamava Augusto, mas que todos conheciam como Augustinho, porque era menos que o pai em tudo. Menos esperto, menos macho, e de menor caráter. A esposa havia morrido no parto e o fazendeiro, embora tivesse suas chinas vez por outra, não tinha tornado a se casar, sendo que este era seu único herdeiro.
E ocorreu que Augustinho, que era libertino, frouxo, ébrio, jogador e perdulário, encontrou numa dessas andanças da vida uma moça chamada Eulália, que era mais linda do que o sol de primavera num campo limpo e céu azul depois de uma noite fria, e Eulália era filha de um outro fazendeiro, de posses bem menores, um homem honesto e direito, que cuidava dela e de outros irmãos, embora estes já não morassem com o pai. E Augustinho se aproximou de Eulália para conseguir o que todo homem como ele queria de qualquer mulher honesta, mas não conseguiu, pois a chinoca era virtuosa e, além disso, prudente, sabendo que ceder aos mimos de tal mancebo era perdição. No entanto, foi sempre amável e agradecida com ele, como convinha a uma moça bem-educada. E de tal forma ocorreu a coisa que o fogo da paixão libidinosa de Augustinho se transformou em amor. Um amor meio doente, que queria a coisa amada a qualquer custo, e que lhe consumia os pensamentos feito febre, mas ainda assim amor. E cresceu no coração do mau rapaz a intenção de desposar a moça. E, sobre isso, ele falou com o pai dela, numa tarde em que veio à sua casa bem vestido e com lenços de seda para presentear a donzela. O pai da moça lhe respondeu:
-Seria uma honra que minha filha se casasse contigo, Augustinho, mas o coração dela já tem dono, e a mão dela também. Há um outro moço que chegou antes, e os dois se conhecem desde crianças, e sempre juraram que se casariam. Ele está levando uma tropa de gado em viagem e, quando voltar, disse que vai voltar com duas alianças de ouro.
-Ora, mas tu não preferirias ter um grande fazendeiro como genro, ao invés de um tropeiro? Posso trazer alianças de ouro com diamantes na volta, se tu quiseres!
-Já me comprometi, e a minha filha também, com o outro rapaz. Além disso, sou um pai razoável, e acho que é o coração dela que deve mandar, contanto que escolha um rapaz de bem.
-Neste caso, me deixa falar com tua filha. Talvez o coração dela me escolha.
Eulália foi chamada e se apresentou. Recebeu os lenços de seda e agradeceu. Quando, porém, Augustinho revelou a intenção de desposá-la, ela respondeu:
-Deves procurar outra moça, meu amigo. Eu não seria uma mulher direita se te dissesse sim quando já disse sim a outro.
-Mas… e o teu coração, o que é que diz?
-Meu coração sempre foi de Francisco, e sempre vai ser.

Dito isto, os dois se despediram, e Augustinho partiu dali, e, a cada passo que dava pra casa, seu amor ia se transformando em ódio, como acontece com o amor mais egoísta quando é desprezado…

Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

CURTA NOSSA PÁGINA 🙂  facebook.com/pulpstoriesbr