Eu tomava minha dose diária de álcool. Aquilo rebuscava meu sangue, e florescia minha alma. Em um bar escroto de algum canto do mundo, qualquer. O que fazia lá?

O de sempre. Ajudando o mundo a ser melhor. Ou pior, dependendo do discernimento divino.

O bar tocava Creedence em seu melhor estilo. A bebida e as putas rolavam soltas naquela grande lata de merda. Eram quase dez horas da noite, horário final de nossa trégua.

Do nosso pelotão, havia uma meia dúzia. Os inimigos eram a maioria.

Tão bêbados que resvalavam no próprio vômito. Sóbrio, apenas eu e o velho sargento Hard.  A essa altura do campeonato, não saberia se estava tão sóbrio assim.

Sargento Hard ao canto do balcão amolando sua faca de estimação. Ele sabia que o sangue iria rolar. Todos nós sabíamos. Quando os sinos tocassem as dez badaladas da noite, a guerra surgiria novamente. O álcool se misturaria com o sangue. E os ébrios encontrariam o caminho do céu, ou do inferno.

Faltavam apenas cinco minutos. Ao meu lado bebia um garoto com pouco mais de vinte anos. Em seu colo um vagabunda lhe furtando o soldo, fazendo-lhe de um cafuné barato. Pobre rapaz. Mal sabe que será ultimo de sua vida.

Aperto minha COLT junto ao meu coldre.  Hoje estou preparado, não que isso faça alguma diferença. Duas pistolas. Hoje é noite de matar. Não irei para o inferno tão cedo. Hoje não é minha noite. O capeta vai ter que esperar mais um pouco para comer meu rabo.

Os sinos tocam…Dez horas…O silêncio episcopal toma conta de todo salão. O jovem ao meu lado se desespera, já é tarde. O chumbo quente come metade do seu cérebro. A vagabunda não escapa. Arranco metade de seus cabelos e a queimo sem dó. O sangue começa a jorrar no salão por todos os lados. Olho para o lado, sargento Hard picava a cabeça de um sujeito com sua faca em cima do balcão. É a hora mais longa. Dura dez ou quinze minutos de sangue, fumaça e chumbo quente.

Ao final apenas o bom e velho Creedence toca na jukebox. Olho para o lado, sargento Hard me joga uma garrafa de uísque lavada de sangue. Hard era o próprio sangue. Acendemos um charuto e brindamos juntos. Hard grita:

“O capeta vai ter que esperar para comer nossos rabos miseráveis!”

Olho para Hard, e dou uma grande gargalhada, antes de cair bêbado, sobre o sangue do inimigo…

Texto de: Mauricio Prestes

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