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CAPITULO III – FINAL

Na manhã seguinte, quando o atual dono da fazenda levantou, antes dos hóspedes e dos poucos empregados que tinha, encontrou um estranho na mesa da cozinha.

Um homem negro alto, forte e sorridente, mastigando um pedaço de pão com uma xícara de café fumegante ao lado. Linguiças fritavam no fogão.

– Quem é você? – perguntou o velho, entre raiva e medo – Que é que tá fazendo aqui?

– Sou da fazenda. Quer dizer, era da fazenda até ontem. Agora vou embora, finalmente.

– Do que é que você tá falando? Eu vou buscar minha arma!

– Eu guardei pra ele todo esse tempo. Agora que veio buscar, não preciso guardar mais. Faça bom proveito.

Nesse momento, a porta escancarou-se. Era um dos empregados, pálido como uma nuvem, vindo relatar o que vira no campo.

O homem negro não estava mais lá.

Haviam encontrado o cadáver de Jaime com o revólver do avô caído ao lado no meio do campo. Disparara quatro vezes, mas ninguém ouvira os tiros à noite. Estava virado de barriga para baixo, retorcido e com uma expressão de pavor, com as mãos aferradas ao tornozelo direito. Quebrara a própria perna puxando-a.

A fazenda ainda está lá.

E o fogo azul continua brilhando solitário no campo.

 

Texto de: Luiz Hasse – facebook.com/profile.php

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