Seus cabelos eram de um loiro brilhante e caíam como cascadas onduladas pelos ombros. O azul de seus olhos cintilava como se tivesse vindo do oceano num dia claro. Era linda. Perfeita.

Para o jovem empresário contemplando-a do outro lado do barzinho só havia uma coisa que o desconcertava naquela beleza toda. Ela usava um saia longa e sem graça, que não permitia adivinhar a beleza de suas pernas. Mas a visão de seu busto na blusa decotada que vestia compensava.

Ela estava olhando para ele também. E ele não era homem de desperdiçar oportunidades.

– Garçom, leva o drinque mais caro da casa para aquela beleza ali. E diz que fui que mandei.

Pouco tempo depois ela estava em sua mesa. Sorria.

– Oi.

– Gostou do presente? Pode sentar. Não mordo.

– Eu mordo – disse ela, e soltou um riso cristalino.

Sentou-se em seguida.

– Qual seu nome?

– Ariela. E o seu?

– Pedro. Gosta daqui? Nunca te vi no bar antes.

– Eu nunca vou duas vezes no mesmo lugar.

– Então tenho que aproveitar. O que você faz, Ariela?

– Como assim?

– Eu sou empresário. Você parece ser modelo.

– Você parece ser gostoso – aproximou a boca de seu ouvido – Vamos sair daqui?

A voz era hipnótica. Impossível resistir.

O apartamento de Pedro ficava na beira da praia. A Lua parecia olhar para eles do céu noturno e se refletia nas águas serenas do mar.

Pedro e Ariela trocaram um longo beijo. Ele levou a mão as seus seios e removeu a blusa. Ela mal se mexeu. Depois as mãos de Pedro levantaram a desajeitada saia. Em seguida uma das mãos não mais existia. E Pedro gritava.

O rosto de Ariela perdera toda a expressão. E seu corpo, mero apêndice dorsal, pendia flácido, uma vez que já desempenhara a função que lhe cabia. A verdadeira cabeça da criatura, com dentes de tubarão e olhos implacáveis, devorava Pedro ainda vivo, desdobrando-se de debaixo da saia que a ocultava e lançando para o outro lado uma cauda serpenteante, apoiada em pequenas patas semelhantes a nadadeiras.

Terminado o banquete, saltou pela janela e correu de volta par o mar.

Texto de: Luiz Hasse
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