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CAPITULO II

Antônia não conseguia enxergar nada e estava desconfortavelmente alocada no porta-malas de um carro, um dos pequenos. Uma Brasília, Variante talvez, pelo barulho do motor batedeira. Estava com um capuz na cabeça e com as mãos amarradas.

Depois de um tempo rodando por uma estrada de chão esburacada, ouviu a tampa do porta-malas sendo aberta quando quatro mãos a agarraram pelos braços e pernas e carregaram para fora. Ela gritava por socorro, mas pelo que podia ouvir, estava no meio do mato.

– Devagar, com cuidado pra não machucar a moça, seu cuzco malcheiroso – uma voz masculina disse.

Os dois homens carregaram-na em direção a uma casinha de madeira enquanto que um cachorro pitbull feroz latia para eles. Eles ignoraram o cão e entraram com a moça para dentro. Colocaram-na em um quartinho, em cima da cama. Ao retirarem o capuz da moça, ela gritou de susto.

– Cruzes! – ela disse.

Na frente dela havia um homem quase calvo, baixinho, de cabeça chata. Ele estava sentado em uma cadeira, à frente da cama.

– Não adianta gritar, nem pedir socorro. Nós temos o seu celular e estamos no meio do nada. Agora você fará tudo o que mandarmos se não quiser se machucar, e seu pai vai ter que pagar uma nota preta se quiser ver seu rostinho lindo novamente – disse ao dar uma risadinha no final.

Nisso, outro homem, esse mais alto, mas completamente careca entrou no quarto, para fechar a dupla de sequestradores.

– Rufino, você quer deixar a moça assustada pra que, seu jumento? – o mais alto disse.

– Mas agora somos bandidos, Gaspar. Eu sou um bandido e dos brabos, oras! – respondeu Rufino.

– Ai caceta. Nós não somos bandidos. Moça fique calma, nós não vamos te machucar, ta bom?

– Como assim “não somos bandidos”? Eu até consegui um revolver, olha aqui – Rufino disse retirando uma pistola de trás de suas costas, que estava presa ao seu cinto.

– Que porra é essa, Rufino? De onde você tirou essa porcaria? – Gaspar repreendeu gesticulando.

– Peguei emprestado de um primo meu, ué.

– Vem cá, seu pamonha. Com licença moça – Gaspar puxou Rufino pela orelha e o tirou do quarto deixando Antônia sozinha na cama, com as mãos amarradas.

Quando os dois estavam no outro cômodo Gaspar começou.

– O que você pensa que esta fazendo?

– Encarnando o personagem. Gângster da máfia.

– Então pare agora mesmo. A gente não é bandido, sequestramos essa menina porque o chefe esta nos pagando pra isso. Só isso, então para com essa bobagem.

Enquanto conversavam o cachorro latia cada vez mais alto e parecia mais bravo.

– E o que há com esse cachorro afinal? – Gaspar perguntou.

– Ah ele sempre foi assim, minha mãe pegou ele na rua e parece que cada dia que passa ele fica mais louco. Um dia ele comeu um sapato dela numa bocada só. Foi impressionante.

– Por que não se livram dele?

– Está louco? Ele é parte da família. Se mamãe souber que fiz mal a ele, ela me esfola vivo e estende minha pele no varal.

– Ok, ok. Vamos repassar o que vamos fazer agora em diante… Espera aí. O cachorro parou de latir? E que barulho é esse dentro do quarto?

Rufino deu de ombros e foi verificar. Vagarosamente foi até a porta do quarto e colocou a cabeça para olhar para dentro. Viu que Antônia brincava com o pitbull e com uma bolinha que ele trouxera ao pular a janela para dentro do quarto.

– Virge! – Rufino disse. – Ela acalmou o cachorro e agora ta brincando com ele.

Interrompendo a fala de Rufino, um carro freou na frente da casa. Era um Opala cor de cenoura e, desse, saltou um homem. Gaspar e Rufino então ouviram passos lentos e pesados se aproximando da porta.

Ouviram então batidas fortes na porta.

– Abram a porta, miseráveis. Aqui é o Jeronimo do Opalão!

Gaspar e Rufino hesitaram por um instante, claramente não esperavam visitas, principalmente com uma cativa em casa, mas Gaspar se adiantou e abriu a porta.

– Ah! Boa tarde – disse Gaspar.

Jeronimo era um homem alto com a pele escura como um indígena. Trajava uma jaqueta e chapéu pretos.

– Boa tarde o rabo do ouriço! Onde esta meu dinheiro? – Jeronimo respondeu já entrando na casa empurrando Gaspar.

– Precisamos de mais tempo para levantar a grana – Gaspar respondeu.

– Sim, isso mesmo. Agora vamos conseguir essa grana facinho, facinho, você vai ver só – Rufino disse rindo.

Jeronimo aproximou-se devagar de Rufino olhando-o bem nos olhos, fazendo ficar evidente a diferença de altura entre um e outro. O menor se encolheu.

– Do que esse filhote de gonorreia esta falando? – Jeronimo perguntou.

– Nada, ele esta ficando louco – Gaspar respondeu.

Uma risada de Antônia vindo do quarto chamou a atenção do índio.

– Que desgrama é essa? – ele perguntou mais para si mesmo do que para a dupla.

Ele se afastou de Rufino e foi até o quarto e ali viu Antônia brincando ainda com o pitbull e a bolinha de plástico. Tanto que nem notou a presença dele à porta. O gigante indígena voltou-se para a dupla.

– Então esse é seu bilhete premiado? Pois bem, agora ele é meu. Traga ela para o meu carro.

Gaspar e Rufino entreolharam-se em consternação, mas não havia alternativa a não ser obedecer.

– E tragam o cão também! – disse Jeronimo saindo pela porta.

Continua…

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Texto de: Adriano Cardoso

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