Catarina – Capitulo 1

Eram quase dez horas da manhã, havia combinado um pouco depois desse horário em um café próximo ao porto. Gostava desse lugar, um ar sofisticado com vista para o lago Arco Irís. Casaria aqui se pudesse, mas Julian preferiu uma cerimônia no campo. Caminhava a passos relutantes, não sabia se queria chegar no local combinado. Era um misto de emoção e ao mesmo tempo dúvida. Algo muito forte dentro de mim, me dizia que talvez não fosse a decisão certa me casar nesse momento. Claro que isso, poderia ser apenas uma insegurança boba de mulher e passaria logo. Mas, mesmo assim uma luz vermelha ligava em minha cabeça, e uma voz estranha quase sussurrando me atormentava falando: – “Catarina pula fora enquanto há tempo. “

Idiotice da minha cabeça, era só insegurança.

Iria encontrar uma mulher chamada Beatriz, uma profissional em organizar casamentos, escolher vestido e todas essas coisas. Nunca pensei que seria tão rápido. Conheci Julian em uma feira ecológica a dois anos atrás e já estou me casando. Não tenho dúvidas das qualidades de Julian. Ele é cara que toda mulher gostaria de ter ao seu lado.

Sempre sonhei muito em me casar, achava que teria que ser tudo perfeito como um conto de fadas. Fazia mil planos em minha cabeça, como seria nossa casa? Se teríamos um casal de filhos? Cachorro ou gato? Dúvidas era o que mais tinha, mas isso me deixava mais ansiosa e hoje essas dúvidas já me atormentam, mas acho que é normal.

Eu sabia que minha família estava muito feliz com esse casamento. Afinal eu já ia completar trinta anos, e ainda não havia me casado. Eu era a última das 3 irmãs que iria para o altar. Minhas outras duas irmãs eram mais novas, porém casaram cedo. Eu sofria aquela pressão da família de ter que casar logo ou ficar para titia.

Achava um absurdo isso de a mulher ter idade para casar. Claro que eu não externava essa opinião para meus pais. Meu pai era muito tradicional, acho que sofreria um ataque se falasse para ele que não me casaria mais. Mas de certa forma as coisas se ajeitaram. Falta apenas uma semana para o casamento, meu futuro marido é uma cara legal, eu estou feliz com tudo isso. Pelo menos eu acho?

Chego no café do porto, prontamente um senhor auto moreno com vestes elegantes, dirigi se até mim e fala: – Senhorita Catarina? – Sim sou eu. Respondi ao senhor com cara gentil. – A senhorita Beatriz, nos informou que viria. Reservamos uma mesa especial. – Ela ainda pediu para avisar lhe que iria atrasar um pouco, mas já adiantou algumas revistas na mesa. – A senhorita gostaria de beber algo? – Sim, uma chá preto por favor. Respondi ao senhor.

Observei que uma das mesas com visão total para porto, estava montada de forma diferente. Havia nela algumas revistas e um cartão com desenho de um casal de noivos. Sentei-me na cadeira virada para o porto, peguei o cartão e abri. Nele estava escrito: “- Senhorita Catarina, perdoe-me mas terei que atrasar um pouco nosso encontro. Deixei algumas revistas em cima da mesa com modelos espetaculares de vestidos de noiva, dentro de uma hora estarei de volta, o cappuccino com chantili é fantástico, somente uma sugestão. Ass: Beatriz.”

Voltei minha atenção para as revistas. Haviam três em cima da mesa. Abri uma delas, realmente as fotos dos vestidos eram lindas. Cada modelo da revista, fazia me imaginar como estaria no dia do casamento. Parecia um sonho, eu escolhendo meu vestido de noiva para o grande dia. Logo chegou meu chá. O senhor gentil, na mão contendo uma xícara e um bule de porcelana, colocou o em cima de minha mesa e com todo cuidado serviu o chá. Ao retirar se, indagou me: – Algo mais senhorita? – Não obrigada. Respondi com cortesia.

Comecei a tomar o chá, estava ótimo, e olhar com toda calma a cada foto de vestido que folhava a revista. Quanto mais olhava a revista, mais próxima me sentia do casamento. Alguns pensamentos bobos vinham a minha cabeça. Comecei a rir sozinha, meu deus, quanta bobagem pensa uma mulher antes do casamento.

Sentia calor, começou a subir em minha face, o chá seria o culpado, ou talvez meus pensamentos bobos. Resolvi ir até o alambrado que dava vista para todo mar que banhava aquele lindo porto. Comecei a olhar longe, um instinto observador, parecia que havia surgido em mim. Coisas simples como o voar dos pássaros e o vento em minha face tocando meus cabelos parecia algo fantástico. Será que sentiria a mesma sensação se estivesse prestes a ser enforcada ou eletrocutada? Nossa como estou pensando bobagens hoje. Dessa vez dei uma sonora gargalhada, ao mesmo tempo em que um navio atravessava ao porto tocando uma buzina extremamente alta, parecia estar rindo de mim também. Resolvi voltar para minha mesa, antes de chegar a mesa, observei um homem sentado em outra mesa, talvez uns trinta anos, vestido com um terno marrom horroroso, moreno claro com feições fortes devorando literalmente uma rosa que se encontrava em suas mãos. Era a coisa mais estranha que havia visto nesses últimos dias. Ele pegava as pétalas molhava no café e comia uma por uma como se fosse um biscoito. Não consegui parar de olhar para aquilo. Logo ele percebeu que eu estava observando-o e seu olhar que tinha a total atenção na rosa fixou se nos meus olhos. Foi como se eu tivesse levado um choque com tamanha profundidade daquele olhar. Mas logo desviei o olhar e voltei atenção para uma revista que estavam na mesa. Olhando as fotos dos vestidos pensava comigo mesmo que cara estranho. Já começava a ficar entediada, Beatriz já passara do tempo prometido do atraso. Quando ergui a cabeça novamente em direção ao maluco das rosas, ele se encontrava parado na minha frente olhando me com aquele olhar fixo, me deu até um frio na espinha. Fiquei imóvel sem saber o que falar. Foi quando ele ergueu a mão direita onde possuía uma rosa quase sem pétalas oferecendo a para mim, falando o seguinte: – Você aceita?

 Nicolas – Capitulo 2

A exatos trinta e três minutos o amor da minha vida me deixou. Pelo menos eu achava que era o amor da minha vida. Achei que seria um lindo dia hoje, na verdade é um lindo dia. O motivo por estar triste, não tem força suficiente para estragar esse dia ensolarado de uma brisa agradável. Tinha em minhas mãos o relógio de ouro que meu avô havia me deixado de herança. A verdade que não sei bem se era realmente para mim. Cresci em um orfanato, quando tinha treze anos apareceu um senhor lá falando que era meu avô. Me deu esse relógio de ouro e nunca mais apareceu no orfanato.

É estranho que o único laço familiar que tive em minha vida foi uma conversa de meia hora com meu suposto avô, que me presenteou com um relógio velho e foi embora me deixando a observar o mesmo sumindo no horizonte. Não lembro muito do teor de nossa conversa, mas uma frase não saia de minha cabeça. Antes de ir embora ele falou: “- Filho nunca olhe para atrás.” Nunca entendi bem o significado daquela frase, mas sabia que de certa forma ele estava certo.

Havia acordado cedo hoje, estava com uma grande expectativa. Combinara na noite anterior em encontrar minha ex futura mulher. Eu e Jessica já estávamos juntos a quase sete anos. Um bom tempo já. Meu plano era pedi-la em casamento hoje, nessa manhã linda quente. Embora ainda não fosse verão, a primavera fazia dias espetaculares. Achava que esse café com vista para o porto seria o cenário perfeito para isso. A vista do sol abraçando o mar, sentir a brisa do mar e nossos rostos era algo mágico.

Do momento que Jessica chegou, sentou se na mesa e acabou nosso relacionamento de quase sete anos foram apenas trinta e três minutos que provavelmente nos separaram para sempre. E meio difícil acreditar que uma pessoa que você conviveu por tanto tempo resumiu um relacionamento em uma simples conversa de pouco mais de meia hora. Antes de Jessica chegar contava os minutos para vê-la. Talvez por isso, e pelo fato de ter o presente que ganhei de meu avô em minhas mãos, resolvi marcar o tempo de nossa conversa. Antes dela chegar, já havia me preparado. Pedi o café com canela que ela adorava. Comprei um buque de flores vermelhas. Combinara com o garçom para trazer junto com as alianças que também havia comprado já fazia algum tempo. Até uns balões daqueles que fogem, estavam estrategicamente amarrados em nossas cadeiras. Achava que iria agradar, fazer uma surpresa. Quando ela chegou, linda como de costume, faltava alguns detalhes para o meu “feliz para sempre.”

Sempre pensei que talvez, eu não a merecesse. Jessica estava se formando em Medicina naquele ano. Eu, apenas um corretor de seguros, que sonhava em escrever um romance desde os 10 anos de idade, desde então eu tento, mas ainda não consegui. O prazo havia acabado nessa manhã linda de primavera. Lembro apenas das primeiras palavras de Jessica: ”Nicolas, infelizmente não te amo mais” Depois disso a sensação era como se ela estivesse falando, e apenas um eco em meu ouvido daqueles quando você viaja e sobe serra até entupir seus ouvidos. Ela falou por trinta e três minutos, levantou se da cadeira e saiu com um leve balançar de cabeça. Eu permaneci imóvel por algum tempo, só voltei ao mundo quando o garçom trouxe até minha mesa o buque de flores e aliança que havia comprado para Jessica.

Com uma voz gentil, perguntou-me: – Algo mais cavalheiro? Pedi uma dose de uísque, mesmo sabendo que não serviam aquela bebida ali. O garçom me olhou com um leve sorriso e saiu em direção ao café. Não sabia exatamente a sensação que sentia naquele momento. Encontrava se sentado sozinho em uma mesa de café com um buque de flores, um par de aliança e alguns balões, era uma piada.

Observava fixamente o relógio de ouro em minhas mãos. Era para ter dado sorte. Acho que meu suposto avô era pé frio. Dei um leve sorriso, que piada idiota. Peguei uma das rosas do buque, observei ela por um momento, comecei arrancar pétala por pétala. Molhei no café com canela que havia pedido para Jessica e comecei a come-las. Uma por uma. Será que já estava com algum sintoma de loucura? Dei de ombros e continuei saboreando as rosas com café, o gosto era horrível. Quando estava prestes a comer a quarta rosa, vi que uma mulher sentada em uma mesa a alguns metros de mim, me observava. Ela era linda, com um vestido vermelho, sua pele levemente bronzeada, com cabelos que não chegavam a ser loiros, quando batia o sol neles seu rosto brilhava e seus olhos castanhos esclareciam. Quando olhei fixamente para seus olhos, ela desviou olhar baixando a cabeça voltando sua atenção para uma revista. Não sei se posso acreditar em amor à primeira vista, mas nunca havia trocado um olhar tão intenso com uma mulher em poucos segundos. Olha Nicolas, o que você está pensando, acaba de tomar um pé na bunda e já estava flertando com outra mulher. Certamente seu olhar em direção ao meu era muito mais de reprovação por estar comendo as rosas, do que um real interesse.

Sorrisos vieram a minha face, resolvi largar as rosas, e fiquei observando alguns minutos aquela mulher que mais parecia ser uma deusa sentada em um altar. De súbito aconteceu algo que jamais poderia imaginar, o meu corpo como se estivesse vontade própria levantou se da cadeira com uma determinação incrível. Naquele momento parecia que estava sendo controlado, talvez fosse eu um robô, controlado por controle nas mãos de uma crianças. Meu corpo não me obedecia, comecei a andar vagarosamente em direção a mesa da deusa. Não sabia o que pensar, e nem o que falar, mas queria estar lá o mais perto possível dela. Quando cheguei bem próximo de sua mesa, ela levantou a cabeça em minha direção. Mais uma vez nossos olhares se fixaram por alguns segundos. Foi quando que quase involuntariamente ergui minha mão direita com a rosa faltando várias pétalas e a ofereci para ela: – Você aceita?

Nicolas e Catarina – Capitulo 3

Ainda não podia acreditar que isso havia acontecido. Nunca tivera coragem de fazer nada parecido antes. Estava diante de uma linda mulher, que nunca havia visto antes, com uma cara de idiota lhe oferecendo uma rosa despedaçada. O movimento da mão direita com a rosa em sua direção, foi algo tão involuntário, talvez alguma força desconhecida tomara meu corpo. Exatamente o que era, não sabia, mas tinha quase certeza que queria acabar comigo novamente. Por alguns segundos olhei fixo em seus olhos, até falar a coisa mais boba possível: Você aceita? Aquelas palavras saíram de minha boca como se fosse um rajada de uma sub metralhadora eu imaginava. Não consegui imaginar como um homem com meia rosa na mão chega para uma mulher e oferece para ela. Nossa que porcaria pensava comigo mesmo. Já estava quase voltando para minha mesa, quando ela respondeu: – Não obrigada. Somente isso, ela falou e retornou atenção para suas revistas. Achei justo, afinal eu parecia mais um idiota com uma rosa na mão invadindo seu espaço. Estava quase retornando a minha mesa, mas por um momento decidi que era ali que queria ficar. De súbito sentei me na cadeira exatamente em frente a ela. O olhar dela fixou se novamente em meus olhos, eu sentia que era um olhar de reprovação, mas naquela altura já não me importava tanto com isso só queria estar naquele local. Resolvi então puxar uma conversa:

– Posso sentar aqui?

– Acho que não seria uma boa ideia, estou esperando alguém.

– Não preciso de muito tempo, só gostaria de uma companhia por alguns minutos – Insisti olhando firme para ela.

– Me desculpe moço, você está sendo inconveniente. – Não quero sua companhia, e se não sair daqui agora terei que chamar o garçom. Falou ela já erguendo a mão em direção ao café.

– Não quero muito tempo, preciso de apenas trinta e três minutos com você. – Eu prometo que é só isso, depois vou embora. Falei apoiando os dois braços na mesa,  um pouco antes da chegada de um garçom na mesa, o mesmo que havia trazido minhas rosas, olhando somente para ela falou:

– Algum problema senhorita?

Achei que havia acabado minha conversa ali. Fiquei olhando fixamente para seus lindos olhos castanhos, esperando que mandasse o garçom me retirar daquele local.

– O senhor tem cappuccino com chantili? Ela indagou o garçom

– Sim claro senhorita, nosso cappuccino com chantili é o melhor de todo o porto.

– Dois? Perguntou o garçom olhando para ela. Nesse momento ela virou levemente a cabeça em minha direção, como se esperasse minha aprovação para pedir o café. Balancei a cabeça em afirmação. O garçom retirou se do local, olhando me com uma cara de desaprovação.

– Isso é um garçom ou um cão de guarda? Falei dando um leve sorriso não correspondido.

– Seu tempo está passando, quanto tempo você havia pedido mesmo? Falou ela, voltando atenção a sua revista como não se importasse muito com minha presença.

Puxei meu velho relógio de ouro que havia ganhado de meu avô, que  vi uma vez só na vida. Coloquei cuidadosamente em cima da mesa, e disse:

– São trinta e três minutos apenas que quero da sua vida. Dessa vez ela largou a revista, olhou para o relógio e para mim com ar de extrema curiosidade.

– O que você pensa que vai me acrescentar em trinta e três minutos? Porque esse tempo em especifico? Ela indagou me olhando com aqueles olhos castanhos que poderiam derreter uma geleira.

– Na verdade eu não tenho a pretensão de lhe acrescentar nada, eu quero imaginar em trinta e três minutos como seria a nossa história de amor. A cada palavra que falava, parecia que tomava como uma grande surpresa, as expressões faciais dela se modificavam constantemente. Naquele ponto já não sabia mais se era de reprovação ou se estava gostando daquela conversa.

– Você só pode ser louco né? – Vem até minha mesa, com uma rosa toda despedaçada que você mesmo comeu, e que saber como seria um romance entre nós. – Eu sei que eles não vendem bebidas alcoólicas aqui, mas eu tenho quase certeza que o senhor está bêbado. Desabafou ela com um olhar mais feroz do que um predador quando vai abater sua presa.

– Eu sei que isso é loucura, mas como já havia lhe falado são apenas trinta e três minutos e vou embora, nunca mais irá me ver.

– Está bem Dom Juan, você tem os teus trinta e três minutos a partir desse momento. -Falou ela com um tom de ironia, pegando o velho relógio de meu avô nas mãos como fosse marcar o tempo.

– Pode começar senhor trinta e três minutos, estou esperando. – Como seria nossa história de amor? Não saberia se ela estaria brava realmente ou se entrara na brincadeira. Apenas uma coisa eu sabia, a cada momento ela parecia mais linda do que nunca. Porque nunca tive coragem em conhecer mulheres como ela. Passei sete anos da minha vida me iludindo com uma pessoa que nunca me olhou nos olhos com tamanha profundidade o quanto tive agora nesse exato momento.

– Tudo bem. – Vamos começar, até porque nosso romance vai ser mais curto que o de Romeo e Julieta. Falei com um pouco de descontração na voz. Ela permanecia firme com o relógio na mão me observando como se quisesse lançar uma bomba em cima do porto e acabar com aquilo tudo de uma vez. Essa é a coisa mais louca que eu fiz em toda minha vida pensei comigo mesmo. Mas enfim não tenho como recuar agora, afinal depois que você pula do barco, não adianta ficar com medo dos tubarões. Uma voz lá no fundo em minha cabeça me dizia: “- Vamos Nicolas, você nunca brilhou em sua vida, que seja agora o momento.”

Puxei todo o ar que tinha em meus pulmões, daquele folego que você dá quando vai descer uma ladeira de bicicleta e sente aquele frio na barriga, e comecei falar:

– Pois bem, nosso romance, talvez teria começado na infância. – Você seria a garota dos meus sonhos, aquela que dividiria seu lanche comigo na hora do intervalo, pelo simples fato de eu não ter levado nada para comer. Nesse momento dei um sorriso, e notei que levemente ela retribuiu alterando um pouco a feição de sua face séria.

– Claro que você não seria apenas a garota dos meus sonhos, e sim da maioria dos garotos a sua volta. – Minhas chances seriam poucas comparados aos outros garotos, mas mesmo assim não desistiria. – Enfrentaria dragões e dinossauros para trazer a flor mais linda da floresta para você. – Você seria minha fantasia de criança, meu sonho de adolescente e minha realidade de agora. Nossos olhares foram tão profundos que notei que aos poucos o escudo que se encontrava entre nós, estava cedendo aos poucos. A sua mão que segurava o relógio de meu avô, lentamente pairava sobre a mesa. Eu via em suas feições que ela queria ouvir o resto da história, eu não poderia decepciona-la.

– Já que não temos muito tempo, vamos pular um pouco a infância e a adolescência. Falei eu, observando a expressão curiosa que permanecia em sua face.

– Não seríamos um casal perfeito, com certeza teríamos muitas diferenças, mas talvez essas que nos manteria unidos. Eu gosto de gato e você de cachorro. Eu amo a natureza e você o nosso apartamento. Você teria que gostar de futebol, porque não gosto, prefiro jogar bolinha de papel na lixeira.  Não gosto de filmes de terror, mas assistiria todos ao seu lado. Agora ambos adoraríamos praia, cerveja e hambúrguer, isso não abriria mão. Por um momento ficamos nos olhando sérios, mas ambos caímos na gargalhada. Pela primeira vez desde que começamos nossa conversa senti que ela estava confortável com minha presença. Ela me olhou com uma cara descontraída e disse:

– Continua o nosso romance.

Nossos olhares se cruzaram fácil, como se algo já existisse entre nós.

– Eu acordaria pela manhã de um domingo ensolarado. Faria torradas, e waffles com cobertura de chocolate, te levaria na cama e te acordaria com um beijo. – Claro que teria que dividir o café com nosso cachorro Plutos, um enorme Golden retriever que amaríamos como fosse nosso filho. Depois do café tomaríamos um banho juntos daqueles que esquecemos do mundo fazendo o banheiro virar uma sauna praticamente. Senti que ao falar isso sua face ruboresceu, mesmo assim não encontrava mais reprovação nela.

– Depois do banho, iriamos passear com Plutos. Ele ficaria extremamente agradecido e nos lamberia nossas faces demostrando todo seu amor. Iriamos ao parque comeríamos cachorro quente, pipoca e talvez algodão doce. Andaríamos na roda gigante até quase vomitarmos.  Depois nos cavalinhos. Tiraríamos um retrato a moda antiga aqueles de papel.  E no final levaríamos um enorme urso de pelúcia para casa, que com certeza nosso cachorro acabaria com ele em um segundo. Nesse momento senti que ela olhava me dê uma forma diferente. Como se tivesse impressionada com tudo que acabara de falar. Com um sorriso nos lábios ela quebrou o silêncio.

– Depois disso iriamos para nossa casa, você cortaria a grama e depois iriamos assistir filmes de terror e jogar bolinhas de papel na lixeira.  Ao final da tarde comeríamos hambúrguer e tomaríamos cerveja assistindo futebol que eu adoro e você se obrigaria a gostar e torcer pelos Forty Niners com nosso cachorro lambendo as migalhes do tapete. Disse ela, e soltou uma grande gargalhada sua expressão era de estar se divertindo com tudo aquilo.

– Você e totalmente louco, eu nem sei o seu nome? Falou ela ainda sorrindo.

– Nicolas. Respondi com um olhar de puro encanto para ela.

– Muito bem Nicolas e como acaba nosso romance?

– Eu pensei que poderíamos transar no final.

Ela deu uma sonora gargalhada e disse:

– Pensei que tínhamos feito isso pela manhã no chuveiro.

Ambos começamos a rir tão alto que chamamos atenção das pessoas que estavam no café.

– Catarina. Ela falou com um feição tão maravilhosa que poderia emoldurar em um quadro. Por alguns segundos senti que nossos olhares poderiam ficar interligados para sempre.

– E agora Nicolas, o que faremos?

– Acho que daqui pra frente, nos casaríamos, talvez nesse porto, e aquele garçom gentil seria o padre, nossa lua de mel, seria em um castelo medieval no interior da Itália, em que passaríamos um mês, transando e bebendo o melhor vinho do mundo, claro que nesse meio tempo viajaríamos a Europa e conheceríamos vários países, tomaríamos cerveja trapista na Bélgica, nos drogaríamos na Holanda, e tentaríamos roubar um chapéu de um guarda real na Inglaterra, comeríamos o pior cachorro quente de nossas vidas na torre Eiffel e pagaríamos 50 euros por eles, mas nós não nos importaríamos, pois a estaríamos hipnotizados pela beleza de Paris. Depois da lua de mel, eu escreveria um romance que viraria um filme muito ruim, porém de muito sucesso, então nós decidiríamos passar o resto de nossas vidas viajando com os nossos 3 filhos e com o plutos que estaria velhinho, mas iria aguentar muitos anos ainda, um dos nossos filhos seria adotado mas nós amaríamos todos igualmente e sairíamos com eles todos os finais de semanas, parques, zoológicos, shoppings e aquários, mas só iriamos em lugares que o plutos pudesse entrar. Nossa vida sexual seria muito ativa, 3 vezes por dia, uma ao acordar pra começar bem o dia, outra no meio da tarde para aliviar a tensão do dia e uma antes de dormir para dormir com os anjos, sem contar que tudo seria sempre um desafio, pois teríamos que nos esconder das crianças, então exploraríamos todos os cômodos da nossa casa.

– Meu deus, não sei nem o que dizer. – se pôs a rir

Catarina e eu ríamos, em sintonia, ríamos alto e isso durou alguns minutos, todos a nossa volta perceberam, mas nós não nos importávamos.

– E agora Nicolas, o que será do nosso romance?

– Talvez agora devêssemos voltar a realidade, acho que nosso tempo acabou.

Peguei o relógio que estava ao lado de uma de suas mãos a tocando levemente, pude sentir uma energia que nunca tivera sentido antes. Levantei da cadeira em que estava sentado e disse:

– Exatos trinta e três minutos, cumprirei minha promessa em deixa lá em paz agora.

– Acha que histórias de amor duram apenas trinta e três minutos Nicolas?

– Talvez uma vida inteira, nunca superara esses trinta e três minutos.

– Algum dia nos encontraremos novamente? Ela perguntou.

Pensei comigo mesmo não quero estragar esse momento, e nem esse nosso pequeno romance imaginário, peguei meu relógio lhe dei um sorriso daqueles que se dá apenas quando se acha um tesouro de verdade e sai sem falar uma palavra. Não queria perder a imagem de seu rosto em minha mente. As pessoas procuram muitas vezes o amor eterno, acham que só é real se durar para sempre. Talvez o amor exista em pequenos momentos que são eternos enquanto duram, ou enquanto estejam em nossas mentes.

Por Catarina – Capitulo Final

Fiquei ali parada, olhando ele ir embora. Nunca imaginei que um cara tão estranho pudesse mexer tanto comigo em tão pouco tempo. Não tenho dúvida alguma que esses trinta e três minutos foram mais intensos e significantes do que a maioria das relações que tive no decorrer de toda minha vida. Sei que isso vai ficar em minha mente por muito tempo, prefiro guardar isso como algo único que nunca mais acontecera, lembrarei Nicolas pelo resto de minha vida. Não importa a forma ou o tempo, o amor sempre valera a pena. Que seja por uma vida toda ou apenas por trinta e três minutos.

Autor: Mauricio Prestes