Carl era um dos meus 6 ou 8 leitores, eu morava com ele e com a sua esposa Beth, eu era jovem e já me achava bom demais pra trabalhar como os outros.

Carl terminava de ler um dos meus contos…

— HAHAHAHAHA! Você tem talento John, seus textos são muito bons!

 — Obrigado Carl, passa mais uma cerveja pra cá brother!

Ele abriu uma Lone Star e me entregou.

 — Então John, já mandou alguns de seus contos para uma revista ou algo do tipo?

 — Sou bom demais pra eles, ninguém vai entender, que algo do tipo?

 — Sei lá, bom, acho que você deveria mandar, talvez conseguisse algum dinheiro.

 — Não escrevo por dinheiro, escrevo pela arte.

 — Eu sei, eu sei, mas as coisas estão ficando complicadas aqui em casa.

 — O que quer dizer?

 — Sabe, eu perdi o emprego, as coisas estão difíceis.

 — Não se preocupa Carl, você arruma outro, tudo vai melhorar, passa mais uma cerveja.

 — Essa era a última.

 — Que merda! Bom… —  acho que vou dormir Carl, não temos muito o que fazer…

 — Tudo bem John, boa noite.

Joguei a cerveja no lixo e fui pro quarto, não era grande coisa, o quarto, eu também não. Só havia um colchão com manchas de vinho e cheiro de mofo, cheio de furos, a espuma amarela se espalhava por toda a casa, havia uma janela com o vidro marrom de sujeira, teias de aranha, algumas baratas apareciam de vez em quando, mas nunca foram um problema, já os ratos incomodavam, os filhos da puta roíam meus dedos das mãos e minha boca, enquanto eu dormia, mas isso só aconteceu 3 vezes. Eu já estava ali há alguns meses, era questão de tempo até que Beth me expulsasse dali, ela não gostava de mim, poucos gostavam na verdade, mas Beth me odiava, e odiava mais ainda ter de me sustentar.

Eu me achava bom demais pra trabalhar, gostava de ficar numa boa, beber cerveja, fumar charutos, foder, dormir e escrever, nunca me importei muito com qualquer coisa, política, religião, aquecimento global, guerras, saúde, paz mundial, futebol, música, roupas, bixas, prostitutas, tudo era indiferente para mim, não me interessava em fazer nada que exigisse esforço físico ou mental.

Ouvi Beth chegar, bateu a porta como se a porta fosse a culpada pelos seus problemas, ela reclamava, bufava, seus saltos agrediam o chão, o show iria começar, me espichei no colchão e como uma criança comecei a mamar numa garrafinha de vodca, o show começou:

 — Desliga a merda dessa luz seu inútil de merda! Sabe quantos dias eu tenho que trabalhar pra pagar uma conta de luz? Sabe quantos? 23 seu filho da puta 23 dias!

 — Caralho Beth, pra que tudo isso? Eu tenho culpa se você não gosta do seu emprego?

 — Vai tomar no cu, seu puto de merda, eu sustento essa merda, tu só serve pra me foder mal e porcamente com teu pau de 8 centímetros.

— Vá se foder, como se tudo fosse culpa minha nessa merda de casa…

— O que você quer dizer com isso? Está insinuando que eu tenho alguma culpa? Você trouxe seu amigo escritor de merda, que só dorme e come, pra morar aqui e você está INSINUANDO QUE EU TENHO CULPA DE ALGUMA COISA?

— Não porra, não disse nada, caralho, você sempre só quer a merda de um motivo pra gritar, eu não aguento mais essa merda!

— FODA-SE! Vai pra puta que pariu, não quero mais ver essa sua cara estúpida!

Ouvi barulhos de pratos, ou xícaras, talvez copos, espatifando-se contra a parede, Carl deveria ter uma boa esquiva, pensava eu, rindo, imaginando a cena, bebendo a garrafinha de vodca…

Os gritos e os xingamentos se estenderam, por pouco tempo, logo viraram lágrimas e abraços e beijos e uma foda de 10 minutos no sofá. Era sempre assim, nunca terminavam. Depois das brigas, só restava o silêncio da noite…

Acordei me sentindo estranho, a primeira sensação foi de estar mijado, o que seria bizarro e engraçado e com certeza algo que escreveria sobre, mas não era isso, a sensação me dava prazer, a surpresa foi grande, quando ao tentar coçar o saco, afaguei a cabeça de Beth que engolia meu pau com voracidade…

— PUTA MERDA! O que tu tá fazendo?

— Te chupando, tu é viado?

— Não, mas porra, por quê?

— Toda vez que alguém te chupou tu soube o por quê?

— Obvio que sim, Beth, pra que isso? O que o Carl vai pensar?

— Não vai pensar merda nenhuma, ele saiu procurar emprego, agora cala a boca ou eu corto as tuas bolas!

A vadia estava louca, segurava uma faca de serra na mão direta e na esquerda o meu pau, que chupava como se dependesse daquilo pra respirar…

O que eu posso fazer? O que qualquer homem faria? Por que isso está acontecendo? Eu não tenho as respostas, não tenho nada, não sei o que pensar, meu pau sabe, ele tá duro e lateja, sinto que vou gozar a qualquer momento:

— Se tu gozar na minha boca eu abro as suas tripas, nem pense nisso!

— Eu não posso evitar, o que tu quer que eu faça?

Não respondeu, chupou, um som comparável a de uma cachoeira ecoava pelo quarto vazio, sentia sua boca, sua língua, a saliva escorrer, o melhor boquete a melhor maneira de ser acordado, o maior pecado que um escritor desempregado, dependente de um amigo poderia cometer, servir o pau para a mulher do mesmo, e ao pensar nisso, não pude evitar, ao pensar nisso e nas gostosas genéricas da tv, gozei, o gozo de mil vidas, enchendo a boca daquela mulher louca… Arfei no silêncio, com todos os A’s e R’s, quebrei todas as paredes e as dimensões, emitindo o som e a energia do mais pleno, puro e meu, prazer… Gozei de corpo e alma.

Por alguns segundos, não enxerguei, não ouvi, apenas senti, antes de voltar a mim. Mas quando voltei, de súbito me assustei, a faca de serra era levantada acima da cabeça da louca, que a baixou com toda a força em direção ao meu peito, protegi o rosto, por reflexo, pensei estar morto, antes de ver a faca, cravada no chão de madeira, a um palmo da minha coxa esquerda, Beth cuspia a porra pela janela e se voltava a mim:

— SEU FILHO DA PUTA! SEU PORCO IMUNDO! DA PRÓXIMA VEZ EU TE MATO!

Há passos de ira, ela saiu do quarto, bateu a porta com tanta força, que chegou a me dar pena, da porta…

Me enrolei no lençol que usava como coberta, fechei os olhos com força e me forcei a dormir, tudo aquilo deveria ser um sonho…

Acordei algumas horas depois, vi pés, sapatos marrons escuros, levantei os olhos, vi Carl, sentado, me olhava, com olhos brilhantes, lacrimejantes, tristes, decepcionados, não foi um sonho:

— Ei Carl, escuta…

— Não. John, por favor, só me escute,

— Carl eu não pude fazer nad…

— JOHN! Me escuta porra! Olha, falei com a Beth hoje, não tem mais condições, eu amo ela cara, você sabe que amo você também, mas entre você e ela, tenho que escolher ela irmão, você vai ter que ir.

– QUE? O que ela te falou?

– Olha John, não dificulte as coisas irmão, ainda podemos ser amigos, eu arrumei as suas coisas, você tem que ir antes que Beth chegue do trabalho.

Suspirei… Respirei fundo… Suei frio…

Levantei, esfreguei as mãos do rosto a nuca, puxando os cabelos, tentando não rir, tentando parecer decepcionado…

– Bom Carl, se é assim que tem que ser, é assim que vai ser… – A gente se vê por ai brother. – Abracei ele por poucos segundos e caminhei para fora do quarto.

— Ei John espere…

— O que?

— Toma, isso deve dar pra você alugar um quarto… – entregou-me 25 dólares amassados.

— Obrigado Carl…- sorri para ele, sem mostrar os dentes, ainda tentando parecer infeliz.

Desci os quatro andares pelas escadas, enfiei dois cigarros na boca e acendi-os, caminhei 7 quadras, rindo da demência da humanidade, comprei uma garrafa de vinho e um maço de Malboro, aluguei um quarto escuro de uma pensão vazia, e bebi, fumei, ri, por alguns dias, antes de me arrepender e me deprimir, pelo simples fato de não ter feito, nem dito, nada…