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VIII – Ouroboros

 

No seu camarim ela se contemplou.

 

Crescera em tamanho. Em graça. Em força. Em poder.

 

E em tristeza. Raiva. Dor.

 

Linda e perdida. Para sempre.

 

– Está pronta, Lúcia? – disse a voz atrás dela.

 

Era o último fim de semana antes do recomeço das aulas. E o outono parecia ter chegado mais  cedo lá fora. Noite escura e sem estrelas. Mas ali pelo menos havia calor. A casa de shows, a danceteria, o ponto de encontro dos jovens, grande e brilhante como o das cidades grandes, e para o qual muita gente de fora afluía, teria a sua estreia contando com a presença dela. Dela e da banda.

 

Ensaiara por bastante tempo. O instrutor era bom. Mas havia conversado pouco entre si.

 

Não precisava conversar muito. Um olhar bastava. Eles eram como ela.

 

Iludidos. Enganados. E perdidos.

 

– Sim, vamos.

 

.     .     .

 

E saiu para o palco.

 

E lá viu algo que não esperava.

 

.    .    .

 

O sujeito se debruçou sobre o tóxico na mesa. Eram tantas apresentações que se perdera. Sua cabeça se ergueu, inundada de energia e fúria químicas. Pronto para o show.

 

– Merda! Tô pirando, pessoal!

 

Mas ninguém ouviu o guitarrista. Havia alguém na frente dele. Um homem velho de cavanhaque branco e um jeito de bode. Sorrindo. Vestia-se com elegância. E ele estava começando a ver os chifres quando o velho levantou a bengala golpeou sua cabeça.

 

Do banheiro vieram os outros dois, confusos. Diná se aproximou deles e sorriu.

 

– Tá tudo bem. O músico ali passou mal. Mandaram a gente resolver o problema.

 

– E quem é o velhote? – indagou um.

 

– Aquele cara é um irresponsável! – gritou o segundo – A gente nunca devia ter montado uma banda com ele! Ser talentos não basta, porra! Assim como é que…

 

– Eu sou médico – respondeu o Professor – e vou ajudar ele a ficar bem.

 

– Mas temos show hoje!!! – gritou o segundo.

 

– Eu disse que a gente veio pra ajudar. Já tem um músico pra entrar no lugar do Zed. Ele tá esperando vocês no carro.

 

– O cara de preto chamou vocês?

 

O velho ergueu os olhos friamente e disse:

 

– Sim.

 

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Texto de: Luiz Hasse
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