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CAPITULO V – ÚLTIMO

Do lado de fora da casa estavam o vereador Teobaldo e sua esposa Marta, pais de Antônia, a sequestrada; o inspetor Miro e mais três policiais; e Giancarlo o jovem italiano do topete. Enquanto que dentro da casa os três bandidos Jeronimo do Opalão, Gaspar e Rufino mantinham Antônia cativa. Ah e um cachorro também.

– Rendam-se seus marginais! A casa esta cercada! – dizia Miro pelo megafone.

Enquanto que da casa nenhum som era emitido.

– É inutil, il mio amico ispettore – disse Giancarlo aproximando-se do portão da casa.

– O que? Fique aqui seu maluco! – Miro bradou.

– Nada tema. Eu sei me cuidar. Ei malfeitor! Você, índio. Venha aqui fora e me enfrente em um duelo de pistolas, estilo velho oeste! O que me diz?

Um estampido fez-se escutar de dentro da casa, e imediatamente Giancarlo caiu alvejado por um tiro.

– Seu piolhento burro! Só porque tenho cara de índio acha que sou idiota? – gritou Jeronimo após acertar o italiano.

– Não! – gritou Marta se aproximando de Giancarlo, que levara o tiro no ombro, e estava em estado de choque.

Marta o confortou em seu colo à medida que gritava impropérios e chorava.

Dentro da casa, Jeronimo, sem paciência, puxou Antônia com força pelo braço enquanto o cachorro latia ferozmente. Gaspar e Rufino não se intrometeram.

– Ai para seu bruto! Me solta! – Antônia protestava.

– Vou mostrar o bilhetinho premiado para a policia e para o seu papai vereador. Vamos ver se isso os sensibiliza.

– Espere, eu tenho uma coisa pra dizer – ela respondeu.

Cinco minutos depois Jeronimo saiu da casa com as mãos para o alto, num ato de rendição. Miro olhou para os outros três policiais e ergueu os ombros sem entender o que ocorria.

– Peguem ele, rapazes – disse.

Enquanto os policiais rendiam o gigante indígena, Gaspar e Rufino vinham logo atrás, também com as mãos para o alto.

– Chefe? O que a senhora faz aqui? – Gaspar perguntou olhando para Marta, que tentou disfarçar momentaneamente entre as lagrimas.

– Chefe? Que história é essa? – perguntou Teobaldo. – Marta quer dizer que foi você…?

– Sim, Teobaldo. Eu encomendei o sequestro de nossa filha. E procurei esses incompetentes porque sabia que não iam machuca-la.

– Um instante, Marta. Você estava procurando uma desculpa para trazer seu primo de volta por que…?

– Porque eu o amo, Teobaldo. Sempre o amei. Eu achei que poderia tê-lo de volta.

– Oh Marta, sua grande idiota. Eu sabia que nosso casamento estava por um fio, não havia mais amor entre nós. Mas colocar Antônia em risco? Nunca imaginei que você seria capaz disso. Vamos, entre em uma das viaturas, não quero que Antônia veja a mãe nesse momento de vergonha!

Marta obedeceu. Um dos policiais a algemou e a colocou no carro.

Finalmente Antônia saiu da casa, com o cachorro atrás dela. Correu para os braços do pai, que, esquecendo-se da traição da esposa acolheu a filha com um abraço de pai.

– Oh minha filha querida! Minha filha querida. Esses facínoras fizeram-lhe algum mal?

– Não pai. Ninguém me tratou mal.

Dois policiais traziam Jeronimo algemado e iam colocando-o em uma das viaturas.

– Parabéns, menina – ele disse para Antônia.

Por fim Teobaldo, Antônia e o cachorro foram em direção ao carro do vereador.

– Eu gostei desse cãozinho pai. Quero ficar com ele.

-Cãozinho filha? É um pitbull. Ele vai arruinar nosso jardim, nossos móveis.

– Pai…

– Ta bom, ta bom. Pode manter o cachorro. Dos males o menor, não é?

– Hã, pai. Eu preciso lhe falar. Sabe por que os bandidos se renderam? Porque eles não queriam ter uma possível morte de um bebê na consciência. Eu estou grávida, pai.

– Oi? Que?

– Gravida.

– Mas como? Daquele… Daquele hippie?

– Sim desse mesmo, mas não vou ficar com ele. Eu amo a Silvia, pai.

Teobaldo então secou o suor da testa com seu lenço.

Fim.

Texto de: Adriano Cardoso

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